O Papalagui… ou Tantas «coisas» para quê?!…
Publicado por Luís Paulo em Setembro 12, 2008
No início do século XX o chefe indígena Tuiavii, chefe de tribo de Tiavéa, da ilha Samoa, na Polinésia, fez uma visita à Europa por ocasião da apresentação dos povos ultramarinos ao imperador alemão (nessa altura a referida ilha Samoa era território da Alemanha).
Tuiavii ficou tão impressionado com o que viu que decidiu partilhar a experiência com o seu povo através de vários discursos, proferidos em tom muito crítico, onde contou os costumes e hábitos do Papalaguí (homem branco). Esses discursos foram publicados por Erich Sheurmann, alemão que viveu naquela época com a referida comunidade indígena.
É um desses discursos que hoje transcrevo. Um texto com cem anos, proferido por um homem “sem instrução” e ainda hoje nos faz pensar (a mim faz) se realmente temos necessidade de tantas «coisas».
//\\ * //\\
Podereis reconhecer também o Papalagui pelo seu desejo de nos fazer crer que somos pobres e miseráveis e que necessitamos de muita ajuda e piedade, em virtude de não possuirmos «Coisas».
Queridos irmãos destas muitas ilhas: permiti que vos diga o que é uma «coisa». A noz de coco é uma Coisa, o enxota-moscas, o pano, a concha, o anel, o prato da comida, o adorno da cabeça são outras tantas coisas. Mas há duas espécies de coisas. Há coisas que o Grande Espírito cria sem nós vermos e que nos não exigem, a nós, humanos, qualquer esforço ou trabalho, coisas tais como a noz de coco, a concha e a cabana, e há coisas que os homens criam, que exigem muito esforço e trabalho, tais como o anel, o prato ou o enxota-moscas. Pretende então o alii (1) que são estas coisas criadas pelas suas próprias mãos, as coisas humanas, que nos fazem falta; pois não é possível que se esteja a referir às coisas criadas pelo Grande Espírito. Quem, realmente, será mais rico e possuirá mais coisas do Grande Espírito do que nós? Passeai os olhos à vossa volta, até ao longínquo horizonte, onde a grande abóbada azul se apoia na borda da terra: está tudo cheio de grandes coisas – a floresta virgem com os seus pombos selvagens, os seus colibris e periquitos, a lagoa com os seus pepinos do mar, as suas conchas, as suas lagostas e outros animais aquáticos, a praia com o seu rosto claro, a pele macia da areia, o grande mar capaz de imitar o guerreiro furioso, capaz também de sorrir como uma taopoú (2), a grande abóbada azul diferente de hora para hora, semeada de grandes flores que nos dão uma luz ora doirada ora argêntea. Para quê ser parvo, para quê criar ainda mais coisas para além das coisas sublimes que o Grande Espírito nos dá? Nunca, mas nunca, poderemos nós igualá-lo, porquanto o nosso espírito é demasiado pequeno e demasiado fraco para se medir com o poder do Grande Espírito, e a nossa mão demasiado fraca para se medir com a sua mão magnífica e possante. Tudo quanto fizermos será medíocre, nem sequer vale a pena falar nisso. Com a ajuda de um pau podemos alongar o nosso braço, com a ajuda deu ma tanoa (3) aumentar o côncavo da nossa mão, mas nunca Samoanês ou Papalagui algum fez uma palmeira ou um tronco de kava.
O Papalagui julga-se na verdade capaz de obrar tais coisas, julga-se tão forte como o Grande Espírito. Eis porque, do nascer ao pôr-do-sol, milhares e milhares de mãos mais não fazem do que fabricar coisas, coisas humanas cujo sentido ignoramos e cuja beleza desconhecemos. O Papalagui procura inventar sempre novas coisas. As suas mãos tornam-se febris, o seu rosto, cor-de-cinza, e curvadas as suas costas; mas os olhos brilham-lhe de felicidade sempre que consegue uma nova coisa. Logo todos a querem ter, todos a adoram e a celebram com cantos na sua língua.
Oxalá, irmãos meus, me acrediteis quando vos digo: eu descobri o que se oculta por detrás dos pensamentos do Papalagui, eu vi o que ele pretende, tão claramente como ao sol do meio-dia. Destruindo, por onde quer que passe, as coisas do Grande Espírito, pretende ele, pelas suas próprias forças, fazer reviver o que mata e persuadir-se a si mesmo que é o Grande Espírito criador das várias coisas.
Imaginemos, irmãos, que de repente surge a grande tempestade e arranca a floresta virgem e as montanhas, com todas as suas folhas e árvores, e leva à sua frente todas as conchas e os animais da lagoa; imaginemos que não mais haverá flores de ibisco para as nossas donzelas enfeitarem os cabelos, que tudo, tudo quanto está à vista desaparece, que só nos resta a areia, e que o solo se assemelha à palma da mão estendida ou a uma colina pela qual escorreu a lava incandescente: lamentaríamos então ter perdido tudo -as palmeiras, as conchas, a floresta virgem. Pois precisamente onde se erguem as inúmeras cabanas dos Papalaguis – esses sítios a que eles chamam «cidades» – o solo está tão árido como a palma da mão! É por isso que o Papalagui perdeu o trambelho e brinca ao Grande Espírito para esquecer o que não tem. Como é assim pobre, e a sua terra triste, apodera-se das coisas, colecciona-as como um louco que apanhasse folhas murchas e com elas enchesse a casa. Mas é também por isso que ele nos inveja e deseja que nos tornemos pobres à semelhança dele.
É sinal de pobreza o homem precisar de tanta coisa mostra, com isso, que é pobre em coisas do Grande Espírito. O Papalagui é pobre porque está obcecado pelas coisas. Já não pode passar sem elas. Quando ele, das costas da tartaruga, faz um instrumento para alisar os cabelos (depois de lhes aplicar um óleo), logo de seguida faz ainda uma pele para esse instrumento, um pequeno baú para pôr a pele e mais um baú grande para pôr o baú pequeno. Há baús para os panos, para os tecidos de cima e os tecidos de baixo, para os tecidos de limpar o corpo, tecidos para cobrir a boca e outros tecidos mais, baús para pôr as peles para as mãos e as peles para os pés, baús para o metal redondo e para o papel forte, baús para as provisões e para o livro santo, numa palavra: para tudo quanto há. De todas as coisas faz ele inúmeras coisas, quando uma só bastava. Quando entramos numa cabana-cozinha europeia, vemos uma porção de pratos de comida e de utensílios de cozinha que nunca são usados. Para cada alimento há uma tanoa diferente, uma para a água, outra para o kava europeu, mais outra para a noz de coco e outra ainda para o pombo.
Numa cabana europeia há sempre tantas coisas que, mesmo que todos os homens de uma aldeia de Samoa carregassem mãos e braços com elas, nem assim conseguiriam levar tudo. Há, numa única cabana, tão grande número de coisas, que a maior parte dos chefes de tribo Brancos necessita de imensos homens e mulheres que outra coisa não fazem do que pôr essas tais coisas no seu lugar e limpar a poeira que as cobre. E até a taopoú mais importante gasta grande parte do seu tempo a contar as suas inúmeras coisas, a mudá-las de um lado para o outro e a limpá-las. Sabeis, irmão, que eu não minto, e que vos digo toda a verdade tal como a vi, sem tirar nem pôr. Crede que há na Europa homens que encostam a arma de fogo à sua própria fronte, pois preferem deixar de viver do que viver sem coisas. Porque o Papalagui embriaga o seu próprio espírito de toda a maneira e feitio e, assim, convence-se a si próprio que não pode viver sem coisas, do mesmo modo que um homem não pode viver sem comer.
É por isso que eu nunca encontrei na Europa uma cabana onde pudesse instalar-me, onde nada me impedisse de estender os membros em cima duma esteira. Todas as coisas lançavam chispas e tinham cores tão berrantes que eu não conseguia pregar olho. Nunca encontrei verdadeira tranquilidade e nunca senti, como então, tantas saudades da minha cabana de Samoa, onde só o que há uma esteira e um rolo de dormir, onde só o que chega até mim é a suave brisa do mar.
Quem tem poucas coisas considera-se pobre e isso fá-lo sentir-se triste. Não há Papalagui algum que seja capaz de cantar e mostrar um olhar feliz se apenas possuir, como nós, uma esteira para dormir e uma tanoa para comer. Muito se lamentariam os homens e as mulheres do mundo branco se vivessem nas nossas cabanas! Tratavam logo de ir buscar madeira à floresta; traziam depois carapaças de tartaruga, e vidro, e arame, e pedras de todas as cores, bem como outras coisas mais; as suas mãos não paravam, de manhã à noite, até a cabana de Samoa ficar repleta de pequenas e grandes coisas, coisas que se decompõem, todas elas, rapidamente, que um fogo ou uma chuvada tropical bastam para destruir, de modo que é sempre preciso tornar a fazer outras.
Quanto mais realmente europeu for um homem, mais necessidade terá de coisas. Eis a razão por que as mãos do Papalagui nunca param de fazer coisas. A razão por que o rosto dos Brancos se apresenta geralmente cansado e triste, por que só muito poucos gastam tempo com as coisas do Grande Espírito, e a jogar no largo da aldeia, e a compor e cantar canções joviais, ou a dançar ao domingo, em plena luz do dia, ou a fruir dos seus membros de todas as formas possíveis, como a nós nos é dado fazer, é que eles têm sempre coisas a fazer. E coisas a guardar. Coisas que se fincam, que se agarram a eles como as formiguinhas das praias. Para se apropriarem das coisas, cometem toda a espécie de crimes, sem que isso lhes afecte o ânimo. Guerreiam-se, não porque a sua honra esteja em jogo, ou para medir forças, mas apenas por cobiça das coisas de outrem.
Apesar disso, todos eles têm consciência de quão pobre é a sua vida; senão, não haveria tantos Papalaguis venerados por terem levado a vida inteira amolhar cabelos em líquidos de várias cores e a pintarem assim belas imagens sobre esteiras brancas. Esses copiam todas as belas coisas criadas por Deus, com todos os cambiantes de cor e toda a sincera alegria de que são capazes. Criam terra mole, desprovida de panos, raparigas de belos movimentos livres como os da taopoú de Matautu (4) ou figuras de homens brandindo clavas, retesando o arco ou espiando pombos na floresta. O Papalagui constrói também grandes cabanas de festa especialmente para esses seres humanos de barro, que as gentes vêm de longe visitar, a fim de fruírem da sua divina beleza.
Envoltos nos seus muitos e grossos panos, os visitantes postam-se diante dos homens de barro e estremecem de emoção. Vi Papalaguis chorarem de alegria à vista de uma tal beleza, que eles mesmos perderam. E eis que, hoje, os homens brancos querem trazer-nos os seus tesouros, as suas coisas, para também nós nos tornarmos ricos! Contudo essas coisas não passam de setas que envenenam mortalmente o peito daquele que é atingido. Ouvi um Branco que conhece bem a nossa terra dizer: «Temos que levá-los a ter necessidades!» Necessidades, quer dizer coisas! E acrescentou depois esse homem inteligente: «Só então é que eles ganharão de facto gosto pelo trabalho!» E propôs-nos que empregássemos também a força das nossas mãos a fazer coisas, coisas para nós, é claro, mas, acima de tudo, coisas para ele, Papalagui! Como se também nós devêssemos ficar derreados, envelhecidos e curvados!
Irmãos destas muitas ilhas: temos que tomar cuidado e permanecer vigilantes, pois as palavras do Papalagui parecem bananas doces, mas estão cheias de dardos ocultos, feitos para matar toda a luz e alegria que há em nós. Não esqueçamos nunca que, à parte as coisas do Grande Espírito, de poucas coisas mais necessitamos. Ele deu-nos olhos para vermos as suas coisas. Ora é necessário mais que uma vida para um homem as ver todas. Nunca da boca do homem branco saiu mentira maior do que esta que ele diz: «As coisas do Grande Espírito não servem para nada; só as coisas do homem são úteis, as mais úteis!» Por mais numerosas, por mais refulgentes, brilhantes, sedutoras e aliciantes que sejam, nunca as coisas do Papalagui tornam mais belo o seu corpo, mais brilhantes, os seus olhos, mais apurados os seus sentidos. As coisas dele não servem, pois, para nada; e por conseguinte, o que ele diz e tenta impor-nos vem directo do espírito mau, os seus pensamentos estão imbuídos de veneno.
O Papalagui, Discursos de Tuiavii Recolhidos por Erich Scheurmann
(1) alii – Amo, cavaleiro
(2) taopoú – virgem da aldeia
(3) tanoa – recipiente de madeira com vários pés, no qual se prepara a bebida nacional
(4) taopoú de Matautu – aldeia de Upolo
//\\ * //\\
No começo inventavam-se e criavam-se produtos para satisfazer as necessidades do Homem; hoje criam-se e inventam-se necessidades para consumir os produtos… desregradamente!
Estamos de regresso às aulas! Não compre muitas «coisas» desnecessárias…
L.P.
Pepita disse
Caro Luís,
Entendo perfeitamente o que quer dizer… A minha filha mais velha entra este ano na escola e, no decorrer das compras de material escolar optei por não levar a minha filha comigo, (tal como também não o faço no natal), por achar que é uma “tortura” desnecessária. Na realidade, o que me pareceu ver nas lojas onde me dirigi foi um monte de ‘alarves’ de diversos tamanhos capaz de quase tudo pela última mochila ou pasta de determinada marca ( e muitos deles instigados pelos pais ou mães que os acompanhavam). Costumo dizer, (e cada vez penso mais que assim é), há duas coisas que se têm vindo a perder nos últimos anos, a educação e o bom senso…
A realidade é que a própria sociedade incute nas crianças que o seu valor se determina pelas roupas que vestem ou pelos carros que os pais conduzem… Tento combater esses preconceitos com todas as forças, mas confesso que nem sempre é fácil. Agrada-me ver que a minha filha (pelo menos agora) mantém-se imune a todas essas influências e continua a ser a minha influência a regê-la mais do que as restantes, mas o meu receio é que isso se venha a alterar.
Actualmente tento limpar a minha vida (e casa também) de todas as coisas supérfluas que adquiri ao longo dos anos. Até mesmo eu sofria desse mal, dessa necessidade inculcada de ter «coisas», até há algum tempo atrás. Mas num Natal passado, tudo se alterou! O momento de viragem foi quando, com a família toda junta, a minha filha só estava interessada em prendas, presentes, embrulhos… E o espírito de família? – Pensei eu na altura, quereria eu que a minha filha crescesse para ser uma daquelas meninas snobes e detestáveis que, só por terem alguns bens materiais inacessíveis a tantos outros pensam que são por isso mesmo melhores que os mesmos? Não, não estava nos meus planos deixar que isso acontecesse, então, comecei por purgar primeiro essas necessidades “falsas” do meu próprio organismo e actualmente não posso dizer que a minha filha seja completamente desprendida de bens materiais (afinal é de uma criança que estamos a falar), mas gosto que ela se preocupe com a irmã, com os pais, com os avós e até com os animaizinhos da casa. E muitas vezes, para ela, basta uma flor para fazer grandes brincadeiras com a irmã… E foi isso que eu tentei resgatar… E largar as «coisas» que dão uma falsa sensação de riqueza, porque riqueza mesmo… É amar…
Aproveito para lhe dar os parabéns pela remodelação do blogue e gostaria de pedir à pequena Liliana para voltar a escrever (se for de sua vontade, claro) porque nos faz falta a sua participação e seria uma pena desperdiçar o seu talento… Obrigada.
Luís Paulo disse
Menina Pepita!
É com prazer que acolho o seu testemunho e as palavras de estímulo essenciais para a continuidade deste trabalho.
Não me passou despercebida a sua primeira intervenção neste espaço, mais concretamente no artigo da minha filhota Liliana
"Rio Cáster, Observar, Intervir e Mudar", mas deixei a ela a decisão de responder ou não. Deve ter-se esquecido. Ou intimidou-se com a responsabilidade que os seus louvores lhe atribuiam.
Mas desta vez não podia deixar passar em claro o seu regresso. Vê-se que é uma pessoa bem formada, de bom senso e bom gosto. Aprecio essas características, tão raras nos tempos que correm.
Este espaço é seu use-o como lhe aprouver: comentando, sugerindo temas, enviando materiais, enfim, ad libitum…
Volte sempre…
Luís Paulo
Thor disse
Quando se olha o mar e se escuta o movimento do seu coração nas areias da praia, damos conta que o mar diz sim e diz não.
Da ilha de Samoa dá á costa da Europa um documento simples que alimenta e confunde o espírito europeu.
O mar diz sim e diz não!
Homem selvagem e inculto serve em fina porcelana uma sopa cultural. Ficamos confusos por nos dizerem que o rei vai nu.
O mar diz sim e diz não!
Já levou o documento e o não ficou na cultura do europeu.
O mar diz sim e diz não!
Talvez a leitura destas culturas ditas selvagens, ajude a semear a esperança.
O mar diz sim e diz não!
O homem não teceu a rede da vida, ele é só um dos seus fios.
Mas Paulo, Sou um selvagem e nada sei.
O mar diz que sim e diz que não!
Confuso?!
O sol tem cambiantes de cor todos os dias…
Luís Paulo disse
Olá Amigo Thor!
Se há coisas que me deixam algo desgostoso nos Blogues (neste ou noutro qualquer) é o facto de muitas vezes (e no caso do Eclectíssimo o caso é flagrante) grandes textos, grandes ideias, ficarem escondidas dos olhares dos visitantes esporádicos pois são escritos nos comentários e retirados do frontispício. Para os ler é necessário clicar em Comentários ou no título do Artigo principal para aceder à visualização dos respectivos comentários.
Isto está a dar-me a ideia de um dia fazer uma colectânea dos comentários e publicá-los numa página própria.
Os teus textos, por exemplo, são paradigmáticos. Autênticas pérolas que ficam votadas ao anonimato. É pena. Mas sejamos optimistas… não sabemos o que o futuro nos reserva nem aos nossos legados… Fernando Pessoa também não sabia!
És um poeta, Thor…
Eu digo que sim e tu dizes que não!
Obrigado Amigo!
Um abraço…
L.P.
Pepita disse
Caro Luís,
Agradavelmente, sou uma pessoa que gosto de ler os comentários que são feitos a artigos que considero de muito bom gosto… Como, reitero, considero aquele em que comento actualmente.
Assim, consigo inteirar-me de alguma forma do que pensam os restantes membros da sociedade que visitam o seu blogue e outros do mesmo género. Só desta forma poderia (como diz e muito bem) ter acesso a este poema tão carregado de sensibilidade deste seu amigo que, como em tantas outras participações que fez no seu blogue (antes e depois da remodelação) merecia ser conhecido e até mesmo editado. Assim, gostava de deixar esta minha opinião (que vale o que vale, é certo) de que, tal como o Luís, considero o seu amigo ‘Thor’ um poeta… Eu também digo que sim e espero que ele não diga que não!
Thor disse
Caros amigos
A propósito de poesia e dos elogios, apetece-me dizer-vos,
Quando os meus passos correm atrás das palavras eu tropeço
e como as palavras tem compaixão de mim, sentam-se a meu lado a conversar
e de quando em vez
deixam ficar os seus sonhos e emoções
e eu pobre mortal limito-me a recolher e a beijá-las na boca.
Mas
Quando quero viajar dentro de mim, pouso os olhos,
como as borboletas nas flores.
Thor disse
Menina Pepita
Muito obrigado,
são agradáveis os seus elogios.
A facilidade com que transmite o seu pensamento contrasta com o meu
e isso sim merece ser elogiado.
Pois confesso ter ficado de repente sozinho num deserto
sem saber o que dizer
em que as próprias palavras se ausentaram para parte incerta.
Tentei reagir e…
Encetei uma “caçada” ás palavras
como se de facto o fosse.
Procurei-as nas gavetas
nas ruas,
nos cafés
e em qualquer lugar onde a memória se detivesse
Até nos olhos das pessoas eu as procurei
Mas as que eu encontrei…
não eram as minhas
Motivo pelo qual não lhe agradeci imediatamente.
As minhas desculpas, Thor
Pepita disse
Caro Thor,
As palavras que mencionei anteriormente não careciam de qualquer agradecimento da sua parte, simplesmente por serem reais e retratarem o que leio. Por tal facto, não vou considerar o seu pedido de desculpa por não achar motivo para a ter sequer pedido.
Todos nós temos uma maneira própria de nos exprimirmos e agradavelmente, consegue fazê-lo invocando o que existe no mundo de melhor. E leva-me a viajar embevecida nas suas palavras e, talvez mais importante ainda, nos seus pensamentos ( que quase consigo sentir ao ler as suas palavras). Só uma alma de poeta faria sentir assim.
Tal como Thor, filho de Odin, (que presumo que utilize como pseudónimo – peço perdão se me engano) tem no seu martelo fonte de poder, também tem o amigo Thor na sua pena (vulgo caneta) fonte de inestimável poder. Apenas lhe peço que continue assim a dar alma às suas palavras e desejo-lhe um futuro glorioso.
A si, caro Luís, peço desculpa por usurpar este espaço para enviar este pequeno ‘recado’ ao seu amigo Thor, mas não teria maneira de o fazer de outra forma. A si, desejo também que continue o bom trabalho. Até breve a ambos. Obrigada.