O RUÍDO ERA O FUNDO. ENTRE PALAVRAS, AQUI E ALI, O CAFÉ CHEGOU. OLHEI-O, O CHEIRO ERA INTENSO E NA ESPUMA CREMOSA HAVIA UMA AVE DESENHADA.
NINGUÉM A DESENHOU, PENSO EU, MAS O MEU OLHAR ENCONTROU-A.
AO LADO, NA ESTAMPA DO AÇUCAR, NUM VERMELHO FERRARI, UM SORRISO ENORME DE UMA DONZELA DESCONHECIDA.
PEGUEI NO SAQUINHO DO AÇUCAR E DE UM GOLPE, CORTEI A CABEÇA À DONZELA.
MAS DESCANSEM, ELA CONTINUOU A SORRIR E DIZIA:
- EU SEI TIRAR O MELHOR ESPRESSO DO MUNDO.
ENQUANTO ISSO O CAFÉ ARREFECIA E O TELEMÓVEL TOCAVA, ANUNCIAVA MENSAGEM.
APRESSEI-ME A DEITAR O AÇUCAR NO CAFÉ, ENQUANTO A MÃO ESQUERDA MEXIA-O E A DIREITA PROCURAVA A MENSAGEM.
BEBIDA A MENSAGEM E LIDO O CAFÉ, QUERO DIZER LIDA A MENSAGEM E BEBIDO O CAFÉ… JÁ NÃO SEI, CHEGA NOVA MENSAGEM. AGORA SEGURAVA O TELEMÓVEL COM AS DUAS MÃOS E ESCREVIA EM RESPOSTA:
- COZIDO À PORTUGUESA.
A DONZELA, AGORA ESPREGUIÇADA E DIVIDIDA EM DUAS, NA MESA, CONTINUAVA A SORRIR.
CAUSEI ADMIRAÇÃO DO OUTRO LADO DO TELEMÓVEL, POIS SÓ ME RESPONDEU: AH!
DEPOIS DE UM BREVE, QUE PARECEU-ME LONGO MOMENTO, NOVA MENSAGEM E NOVA RESPOSTA, AGORA O TELEMÓVEL TINHA-SE CALADO, FOI QUANDO O MEU OLHAR RASGADO NOTOU A AUSENCIA DA AVE QUE TINHA ESTADO NO MEU CAFÉ.
PEDI AO “GARÇON” A CONTA E FUI, SEM QUE ANTES O MEU OLHAR NÃO SENTISSE O SORRISO DA DONZELA.
Arquivo de Março, 2009
Espresso
Publicado por davidverde em Março 31, 2009
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Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Princípio do Respeito
Publicado por Luís Paulo em Março 31, 2009
3. O princípio do Respeito
A expectativa não deve ser indiscriminada e automática. Aquilo que eu espero dos meus alunos tem de ser pautado pelo respeito pelas suas características, pelo seu estádio de desenvolvimento, pelos seus interesses emergentes. A expectativa salutar é uma relação subtil que se baseia num vaivém de acção e reacção, de respeito pelo que o aluno é e de esperança pelo que venha a ser. Nada do que é humano é automático.
O Pedro sempre gostou muito de História. Tudo começou, quando, um dia, tinha talvez uns 12 anos, estudando com um livro na mão, o seu pai reparou e disse: «Olha, o Pedro gosta de História!». No dia seguinte, comprou-lhe um livro de Elaine Sanceau sobre a viagem de Fernão de Magalhães à volta da Terra. E daí em diante, ele que costumava ter dez e onzes a História, passou a ter dezasseis e dezoitos. Foi a expectativa que estimulou o interesse. Mas a expectativa já se exerce sobre um elemento da realidade: ele tinha um livro nas mãos. Foi portanto uma expectativa que se baseou no respeito. Subtilezas de que só os humanos são capazes.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, p. 61
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Sol de Março
Publicado por davidverde em Março 30, 2009
Prestes a acabar a refeição, já satisfeito e grato pela comida e pelo vinho, entram na sala uma Primavera de gente, Rosas e Margaridas, alegres e pelo que vi trabalhadoras.
Pareciam andorinhas, unidas, alegres e vivas.
Preparavam-se para escolher mesa, ao todo 15.
Simples, já nas suas trinta primaveras… ou mais, mas deslumbrantes, pelos sorrisos, simplicidade e pela beleza que Deus soube dar á mulher.
Ganhei o dia, pois foi o sorriso de Deus, a entrar na sala.
Não se acanharam no pedido de bebidas, e na linguagem deliciosa dos palavrões.
Estas sim, comentei eu, de mim para mim, são mulheres. Sentia-lhes a força, a dinâmica e o querer forte de vida nos seus diálogos.
O sol batia-me de mansinho, por cima do ombro, e o empregado dizia-me:
- O senhor deseja mais alguma coisa? Sobremesa?
Eu como acordando:
- Um café por favor.
Tomei o café. O som da Primavera e o colorido das flores continuaram na sala.
Como eu gostei e amei aquela pintura de seres.
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Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Princípio da Expectativa
Publicado por Luís Paulo em Março 29, 2009
2. Princípio da Expectativa
É claro que não basta apresentar bem a matéria para que ela atraia e o aluno se ponha a caminho. A televisão e o cinema podem fascinar sem atrair. Nunca poderemos substituir os docentes pelos meios audiovisuais, porque estes não esperam nada dos alunos, não têm esperança neles nem expectativa do seu movimento.
Modernas investigações mostram bem a importância fundamental desta expectativa. Todos conhecemos os estudos sobre o efeito de Pigmaleão. Se eu estou convencido que o aluno pode, ele poderá; se eu espero que ele aprenda, ele aprenderá; se eu confio em que ele estude, ele estudará.
Esta expectativa transmite-se de mil maneiras: é o olhar de conivência, é o sorriso de entendimento, é a chamada ao quadro repetida. E, ao contrário, a ausência de esperança também se transmite. Quando nunca me lembro do nome do aluno, quando nunca o chamo, ou até quando lhe digo logo à partida «que o melhor é nem tentares porque tu não és para isto».
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 60-61
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Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Princípio da Fascinação
Publicado por Luís Paulo em Março 26, 2009
II – PRINCÍPIOS
Relação Pedagógica baseada na autonomia
Mas, infelizmente, não temos que escolher entre o autoritarismo e a permissividade. Os grandes educadores sempre encontraram uma terceira via de relacionamento com os educandos, que promove directamente o seu crescimento, sem passar pela guerra ou pelo abandono, pela imposição ou submissão. Relacionamento que promove a autonomia e desemboca na colaboração e no amor. É a terceira via que eu julgo deva ser a grande corrente da reforma educativa, aquilo que define propriamente a pedra angular da reforma.
Escolhi 10 princípios para caracterizar a relação pedagógica baseada na autonomia. Princípios que se entre cruzam e se reforçam mutuamente e que, no fundo sugerem estratégias próprias de relacionamento.
1. Princípio da Fascinação
Perguntei um dia a um grupo de alunos o que era um bom professor. Depois de algumas brincadeiras, uma aluna geralmente reservada avançou: «o bom professor é o que nos faz gostar da matéria». O silêncio que se seguiu mostrou bem a adesão de todos à definição. O bom professor não é, portanto, aquele que provoca admiração pelo seu saber -esse pode até fazer-me desanimar; não é aquele que entretém -com esse não se aprende; nem é aquele que obriga a estudar -esse não educa. O bom professor é aquele que apresenta de tal modo a matéria que eu me sinto fascinado por ela e mobilizo as minhas energias e recursos para a conhecer e gozar. E está-se a ver que a educação pelo fascínio se relaciona intrinsecamente com a autonomia. Eu levanto-me e estudo, não porque me mandam, não porque sou obrigado, mas porque o objecto me atrai, porque quero, porque gosto.
No fundo o que é a pedagogia e o que é a didáctica, senão a ciência, ou a arte, de saber apresentar as matérias de tal modo adaptadas à idade e estádio de desenvolvimento da criança, que ela se sinta atraída e mobilizada? Digo arte, não tanto pelo que ensinar bem implica de jeito e habilidade, mas pelo que implica de beleza e de estética. Ensinar bem Matemática é mostrar a beleza da Matemática; ensinar bem Português é revelar o encanto do bom texto e da boa expressão; ensinar bem Ciências é abrir a porta para o gozo da natureza.
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Será do sol?!
Publicado por davidverde em Março 24, 2009
Ao ler o artigo sobre “Ética e Educação…”, como por magia (género Luís de Matos) apareceu-me na mão este texto, que também por considerar pedagógico, partilho e transcrevo:
(…)
Na Alemanha, se eu quiser deixar uma caravana numa praia do Mar do Norte, sou presa. Portugal é um país amável para com os estranhos e os estrangeiros. Com os portugueses, a coisa fia mais fino. Num restaurante, entra-se às cinco da tarde. (…) Não se vê um empregado num raio de quilómetros. Por fim, pouco trepidante, ele aparece. Carrancudo, afirma: a cozinha tá fechada, os empregados estão a almoçar. Eu, humilde: então o restaurante está fechado, não servem? Ele: tá aberto mas a cozinha tá fechada. Pode ser que se arranje qualquer coisa. Eu: Pode ser qualquer coisa que não precise de ser cozinhada? Marisco? Percebes? Uma tosta? Ele: aqui é tudo cozinhado porque sai tudo da cozinha, e a cozinha tá fechada, tem que se abrir. Eu: uma tosta? Ele: qualquer coisa, eu trago-lhe a lista, se tem que se abrir a cozinha pode ser qualquer coisa, é tudo igual. Eu: então a cozinha vai abrir? Ele: vou ver o que se arranja. Eu, sentindo que estou a ser vítima de um tratamento excepcional: o que for mais rápido, ou estiver feito. Ele: aqui é tudo feito na hora. (…)
Eis o Verão algarvio e a lusitana indústria de serviços em todo o seu esplendor. A cena repete-se Algarve fora. Excepto quando o empregado é um imigrante brasileiro, aí a cortesia e a suavidade convidam o cliente a ficar. Donde saiu a gente bruta que trata os estrangeiros de espinha curvada, e berra aos portugueses, não temos, não posso, não quero, não pode ser? E sabem como aquilo acabou? Veio um outro e disse é a senhora da televisão. A partir daí, da televisão, tive tudo na mesa, mais a gentileza. Percebi. Se é para o senhor Dom Fradique, é o que o senhor Dom Fradique quiser. Quase dei uma libra àquele malandro.
Clara Ferreira Alves
ÚNICA, EXPRESSO de 29 de Julho de 2006
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Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Autonomia e Permissividade
Publicado por Luís Paulo em Março 24, 2009
Autonomia e Permissividade
A permissividade tem sido um dos erros fatais de muitos pais e educadores. Convencidos dos males do autoritarismo, desistiram de educar e perderam a autoridade. Com medo que ofender a dignidade dos filhos ou dos alunos, deixaram de exigir, cederam a todos os seus caprichos, permitiram muitas vezes que os educandos os humilhassem e abusassem. Não querendo submetê-los, deixaram-se submeter.
O resultado desta permissividade e desta gratificação constante não foi obviamente o aparecimento de jovens mais autónomos. Foi a proliferação de filhos mimados, de alunos psicopatas, de jovens que nunca foram confrontados com a autêntica autonomia dos pais ou professores e que, portanto, ainda julgam que o mundo gira à volta deles e que os outros são apenas instrumentos ao seu serviço. Tão dependentes estão dos outros para tudo que não podem sobreviver sem eles. Mas como os outros não contam, tão pouco podem ser amados. E como os outros não existem, também eles se sentem sem consistência. É a inevitável solidão do mimado que devora os outros sem nunca se satisfazer, porque, no fundo, nunca estabelece contacto nem relação.
Numa dessas cartas ao editor, tipo consultório psicológico, dum jornal diário, queixava-se uma senhora de idade do abandono a que se via votada por todos os seus filhos. Dizia: «fiz tudo por eles, fui a cozinheira de todas as refeições, a lavadeira de toda a roupa, a criada de toda a limpeza, Agora quase nunca me visitam», E acrescentava, deprimida: «e o que mais me custa é ver que a minha vizinha que nunca fez tanto pelos filhos, que trabalhava fora de casa e lhes mandava fazer recados à rua por tudo e por nada e que às vezes até lhes batia, essa recebe a visita dos filhos todos os dias e tratam-na como uma rainha».
Os filhos da senhora de idade não visitavam a mãe, provavelmente porque não se lembravam dela, porque, no fundo, ela não existia no seu campo de consciência. A mãe não se definiu autonomamente e, portanto, os filhos nunca se autonomizaram dela o suficiente para a reconhecerem como pessoa. Os filhos da vizinha separaram-se da mãe e portanto puderam relacionar-se com ela. Entre o autoritarismo que abafa e a permissividade que isola e esvazia, talvez prefira o primeiro. Talvez possa conduzir à rebeldia e, com a rebeldia, à existência.
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Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Autonomia e Autoritarismo
Publicado por Luís Paulo em Março 22, 2009
Autonomia e Autoritarismo
O autoritarismo, todos o sabemos, mata, em princípio, a autonomia. O que o autoritário pretende, com efeito, não é que o outro seja autónomo, mas obediente; não que pense por si, mas que acredite; não que critique, mas que absorva; não que aja segundo a sua consciência, mas que se conforme à norma. O autoritarismo cria escravos, não homens autónomos. Pode criar ordem, mas nunca orgânica. Todos conhecemos o professor autoritário: não admite perguntas, não aceita sugestões, recusa o diálogo. Dá poucas razões para aquilo que ensina e tanto as razões como as explicações são para ser aceites sem pergunta nem desafio. Obviamente, a criança educada pelo professor autoritário tem poucas probabilidades de ser autónoma.
Os métodos mais utilizados pelo professor autoritário para subjugar o aluno são o castigo (sobretudo o castigo corporal) e a humilhação.
Entramos aqui numa área muito delicada e que toca em muitas feridas da nossa consciência e muitas receitas da nossa tradição. Comecemos pelo bater. Com efeito, o bater está relacionado não só com o autoritarismo abusivo dos nossos piores carrascos mas está também relacionado, muitas vezes, com o amor e preocupação dos nossos pais e dos nossos melhores professores. Encontramos continuamente adultos que exprimem agradecimento ao professor que lhes deu uma bofetada a tempo, ou que sentem reconhecidos pelas tareias que periodicamente levavam dos pais quando descarrilavam.
Mas distingamos bem os conceitos. Há coisas muito piores que o bater. Todas as crianças preferem a tarei ao abandono e à humilhação. Quando eu agradeço àquele professor o ter-me dado a bofetada a tempo, o que realmente lhe estou a agradecer não é a bofetada mas o ter-se preocupado comigo. Quando me lembro das tareias dos meus pais, não é que eu tenha saudade da pancadaria, mas dou graças por não ter sido abandonado. O que se pode dizer então é« que pena essa preocupação e esse amor não tenham sido expressos de outro modo!». Talvez então, não só endireitasse, mas também aprendesse.
Assim, apesar que se poder admitir que o castigo corporal nem sempre esteja ligado ao autoritarismo, o que é facto é que tal método de educar, de si, humilha e amachuca. De si, não promove a autonomia e a confiança própria. É degradante e viola a dignidade humana da criança. E é por isso que nenhum de nós admite actualmente como método de disciplina entre adultos, como se admitia na Idade Média.
Mas há métodos de disciplina mais degradantes ainda que o castigo corporal. A humilhação directa, o sarcasmo, o ridicularizar, o ignorar são bem mais prejudiciais ao desenvolvimento da autonomia que o bater. Infelizmente tais métodos são utilizados por muitos pais e professores, às vezes com a desculpa consciente de que «é para eles não levantarem muito a cabeça», para não se tornarem “orgulhosos”, para serem obedientes. No fundo para que se submetam e se conformem, não para que se desenvolvam e se autonomizem.
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Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Autonomia e Integração
Publicado por Luís Paulo em Março 19, 2009
Autonomia e Integração
Perguntamo-nos todos naturalmente o que é que acontece no termo do desenvolvimento da autonomia. Quem é essa pessoa autónoma? Será um individualista? Será um egoísta? Pensará nos outros? Reconhecerá os outros? Amará?
Investigações modernas demonstram claramente, primeiro, que não há desenvolvimento da autonomia sem ser no contexto de uma relação de intimidade e, segundo, que a autonomia é provocada pela consciência da autonomia dos outros e desemboca sucessivamente na colaboração, na cooperação e no amor.
Assim, o bebé pensa ao princípio que a mãe faz parte dele. Não reconhece a autonomia da mãe, nem com certeza é consciente de si próprio. É só à medida que a mãe mostra a sua autonomia, que deixa às vezes de estar presente, que se afasta, que se zanga, que exprime o seu desagrado, que o bebé a vai reconhecendo como diferente e, nessa mesma medida, que se vai reconhecendo como autónomo. Daqui já se pode ver, que mães que se tornam dependentes dos filhos, que se submetem a todos os seus desejos e caprichos, que nunca mostram os seus interesses e direitos, mães que não são autónomas, são mães que nunca provocam a autonomia dos filhos. Os filhos continuam a pensar que os pais são parte deles, que todo o mundo gira à sua volta, e portanto não podem passar sem os pais ou quem os substitua ao seu serviço. Estes filhos não são autónomos, dependem intrinsecamente do trabalho dos outros e da sujeição a si de quantos os rodeiam. Usam, utilizam e manipulam os outros para existirem. Encontram-se inteiramente dependentes. O egoísmo é a outra face da dependência.
Mas a pessoa que se foi habituando a ver o outro como autónomo, esse foi criando as condições para se relacionar. Ao perceber que os pais têm interesses próprios, começam a olhar para eles como diferentes, como pessoas. Essa diferença do outro fá-los crescer na consciência de si próprios. No termo do processo, temos uma pessoa consciente de si e do seu valor que reconhece o outro como outro e que, portanto, numa dinâmica infalível e dramática, é levado a dar-se, a contribuir, a amar, a dedicar-se.
Destes pressupostos filosófico-psicológicos já podemos deduzir o que a relação pedagógica não pode ser, se quisermos promover a autonomia das nossas crianças. Não pode ser, em primeiro lugar, uma relação baseada no autoritarismo e na humilhação. Tão pouco se pode fundar na permissividade ou na gratificação permanente. A relação pedagógica tem, finalmente, que se assumir como protectora de desenvolvimento.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 56-57Publicado em Ética e Educação | Tagged: A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Não sou indiferente…
Publicado por davidverde em Março 18, 2009
A Primavera é uma estação bela,
as várias matizes de cor
e as flores que encantam as ruas por onde passamos,
oferecerem-nos os seus perfumes
Aqui e ali, uma se destaca
e a nossa curvatura vertebral,
é a gratidão instantânea a quem nos oferece,
mesmo num curto espaço de tempo,
todo o tempo do mundo
Não sou indiferente ao perfume e à cor
e ao sorriso do sol
Mesmo que eu não responda
o sol sabe que li o seu sorriso
E me encantei!
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Sombra e Sombras..
Publicado por davidverde em Março 17, 2009
As sombras vão correndo entre ruas e caminhos
umas são pequeninas, outras gigantes como árvores,
como prédios
As sombras vivem do sol
ou de outra luz
É giro ver o rodopio
o aparece e esconde,
como se fossem crianças a brincar
Por vezes deixam-se estar
estendidas na relva,
no asfalto…
e indiferentes ao perigo
vagueiam
alimentando-se dos sonhos
que os seres humanos na sua pressa deixam tombar
Sem um queixume, vão dormir
ao colo da mãe
no outro lado do Mundo
Por vezes não damos por elas,
como no Inverno,
mas no Verão é vê-las em todo o lado
Sombra é o lado oposto do teu eu,
é a vagabunda melancólica
que por contraposição dá valor
ao teu ser mais visível
Engana-se quem pensa efectivamente controlar a sua sombra,
não há sombra que resista e aguente a jaula do racional
“Sem sombra de dúvida”, é frase feita
porque a dúvida existe sempre
E a sombra…
essa gosta de andar de bicicleta
e não há pregos ou fita-cola que a prendam.
A não ser um pequeno furo na roda da bicicleta.
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Pedro D Orey da Cunha – A Relacao Pedagogica – Autonomia e Liberdade
Publicado por Luís Paulo em Março 17, 2009
I PRESSUPOSTOS
A Autonomia como base da resolução
Ao definir a relação pedagógica como uma relação baseada na autonomia, parto evidentemente de um conceito próprio e específico de autonomia.
Autonomia e Liberdade
Autonomia diz mais do que simplesmente liberdade. Liberdade é um conceito negativo. É livre aquele que não é escravizado ou dependente. É-se livre de alguma coisa. É-se livre de leis, ou de regras ou de imposições ou de cadeias. O conceito de liberdade aponta para algo de que se é livre, ou para algo para o qual se é livre. Mas em si não tem consistência própria. O conceito de liberdade nem sequer é um conceito que se aplique exclusivamente aos humanos. É assim que dizemos que há animais em liberdade, que se encontram arbustos a crescer livremente, que necessitamos até de ar livre.
Autonomia, ao contrário, é um conceito positivo. Significa que a pessoa, ou a instituição, tem uma lei, mas que essa lei é própria (autónomos). Evidentemente que implica liberdade, liberdade, no entanto, não em relação à lei, mas simplesmente em relação à lei dos outros. O escravo submete-se à lei dos outros, o libertino não se rege por lei alguma (assim o julga), a pessoa autónoma rege-se por leis, mas leis próprias, escolhidas, interiorizadas.
Diante de um acontecimento, não se pergunta apenas o que é que os outros pensam, mas o que é que ele acha; confrontado com um dilema moral não procura fazer o que os outros fazem, mas age de acordo com a sua consciência, com a sua lei interior.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 55-56Publicado em Ética e Educação | Tagged: A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Introdução
Publicado por Luís Paulo em Março 15, 2009
A Relação Pedagógica
INTRODUÇÃO
Pais, professores e jornalistas perguntam com frequência em que é que consiste a Reforma Educativa. Há muitos modos de responder a esta pergunta, pois muitos são os contextos na qual ela se situa e muitos são os vectores da reforma que se podem fazer realçar. Mas, se quisermos encontrar o ponto crucial do qual todos os vectores dependem e o horizonte subjacente a todos os contextos, julgo que poderíamos responder com a seguinte afirmação:
A reforma educativa é a mudança do sistema educativo necessária para levar a cabo um novo desenvolvimento pessoal e social do jovem Português, generalizando uma relação pedagógica nova, condizente com essa finalidade.
Pretende esta afirmação, ainda em estado excessivamente formal e abstracto, apontar para uma distinção entre o fim da reforma educativa e o meio a alcançar. O fim da reforma é o desenvolvimento pessoal e social do aluno. Esta afirmação é já de si uma opção de fundo. Assim, estabelece-se a priori que o fim da reforma não é uma qualquer conveniência da administração, como se fosse, por exemplo, a informatização da escola, ou a maior eficiência ou a economia de meios. O fim da reforma tão pouco se situa apenas na dignificação dos professores, na participação dos pais ou no envolvimento com o meio. Quando se diz que o fim da reforma é o desenvolvimento pessoal e social do aluno quer afirmar-se, à partida, que a intencionalidade da mesma reforma, a meta, o alvo, a ênfase, o objecto que se quer atingir é o utilizador do sistema, não o seu produtor. A reforma educativa está ao serviço do aluno antes de mais, sobretudo e por excelência.
Mas podemos ir mais além da nossa definição. Se queremos a reforma, é porque sentimos que algo está mal.
Não é tanto que queiramos reformar o aluno. O que a sociedade portuguesa pressente desde há muito, aquilo de que todos os lados se sugere, quando não se exige, é a reforma do sistema, para que um novo tipo de português possa emergir. O sistema educativo necessita de se reformar para poder facilitar a emergência de jovens desenvolvidos pessoal e socialmente. Com efeito, suspeitamos, desde há muito, que os jovens portugueses que estão a sair do sistema educativo, aqueles de quem nos orgulhamos e que nos enchem de esperança são mais sobreviventes do que produtos do sistema; desenvolveram-se apesar do sistema e não por causa do sistema.
Mas não nos encontramos apenas no estágio do descontentamento. Creio, pelo contrário, que entre nós os adultos desta geração, aqueles que já sentimos a responsabilidade de preparar a geração que nos vai suceder, creio que entre nós se foi generalizando um largo consenso sobre o tipo de português novo por que ansiamos. Temos uma ideia concreta sobre qual o perfil pessoal e social do jovem que queremos promover e estimular. Recomendo sobre este ponto a leitura do pequeno livro publicado pelo Ministério precisamente intitulado «O Perfil Desejável do Diplomado do Ensino Secundário».
Divide-se este perfil cultural em três aspectos, interligados, é certo, na realidade, mas distinguíveis no pensamento para melhor clareza e compreensão; o perfil cognitivo-cultural, o perfil sócio-moral e o perfil físico-motor. No entanto, todos estes elementos se poderiam sintetizar em dois grandes vectores, os quais simbolizam também os grandes princípios da Lei de Bases do Sistema Educativo; o novo jovem português, aquele que a emergência do qual queremos reformar o sistema educativo, é um jovem autónomo cognitiva e afectivamente – desenvolvimento pessoal; e é um jovem respeitador da autonomia do outro; e portanto, preparado para o amor, o diálogo e a cooperação -desenvolvimento pessoal e social baseado na autonomia.
Mas a definição da reforma que atrás avancei tinha uma segunda parte. Não só apontava para a finalidade da reforma, o desenvolvimento pessoal e social do aluno, mas referia o meio, uma nova relação pedagógica. De modo mais simples, uma relação pedagógica baseada na autonomia. Como se pode melhor definir esta relação pedagógica, quais os seus pressupostos, quais os seus princípios, quais as aplicações, tais são os pontos que me proponho desenvolver.
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Pedro D’Orey da Cunha – A Relação Pedagógica – Apresentação
Publicado por Luís Paulo em Março 14, 2009
Com prefácio do Prof. Manuel Braga da Cruz, o livro Ética e Educação foi publicado já após a morte do autor dos textos, Pedro D’Orey da Cunha, quando ainda preparava a sua edição.
A minha ideia inicial era publicar apenas dois ou três parágrafos deste artigo mas, como espaço é coisa que aqui não falta, acabei por decidir-me pela publicação integral do artigo.
Algumas passagens poderão ser algo estranhas aos meus jovens colegas – nomeadamente no título “Autonomia e Autoritarismo” – já que não conheceram a realidade social, em geral, e do ensino, em particular, à qual o autor se reporta: a sua infância, juventude e início de carreira (esta contextualização é sempre necessária para evitar juízos precipitados).
Como o artigo é muito extenso vou publicá-lo em fascículos. A partir de amanhã, dia 15 de Março, será publicado um título do artigo todas as terças e quintas-feiras e aos domingos, com excepção da semana das férias da Páscoa. Portanto, na quarta-feira dia 8 de Abril e no domingo dia 12 de Abril não será publicado qualquer título. Isto não significa que não sejam publicados outros artigos dos autores do blogue.
Cada Post do blogue terá uma etiqueta comum (A Relação Pedagógica – Artigo Completo) para que seja possível, a qualquer momento, visualizar e ler o artigo completo (pelo menos o publicado até àquela data), sem interrupções. Será útil para quem não acompanhe a publicação desde o primeiro dia ou falhe a leitura de alguma publicação.
Pedro D’Orey da Cunha, licenciado em Filosofia (Braga, 1962) e em Teologia (Granada, 1968), obteve o grau de Mestre em “Counseling Psychology” no Boston College em 1973 e doutorou-se em Ciências de Educação pela Boston University, em 1983.Foi chefe de Gabinete do Ministro da Educação Roberto Carneiro e Secretário de Estado da Reforma Educativa entre 19787 1 1991.Morreu em 1995, tendo deixado vários escritos sobre a deontologia da profissão docente, sobre a educação ética na família e na escola, e sobre a fronteira entre ética e a fé, que se propunha reunir em livro. (1)
(1) Esse trabalho inacabado foi concretizado pelo Prof. Manuel Braga da Cruz, a pedido do autor, tendo sido publicado o livro que já referi, Ética e Educação, pela Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, com o apoio do Ministério da Educação.
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O sol já nasceu e aponta agora na vertical!
Publicado por Luís Paulo em Março 8, 2009
O sol já nasceu e aponta agora na vertical,
a minha sombra já me não deixa,
e, agora que falas disso,
apercebo-me que já começa a espreitar e a querer ser maior do que eu.
Já começa a segredar-me as histórias que viveu e as que deseja ainda alcançar, mais dia, menos dia, estou mesmo a ver,
na sua vadiagem vai correr mais célere do que eu e segredar-me: “tás na quarta idade”.
Aí eu vou corar
e só para disfarçar o embaraço,
vou vestir meus calções,
levar minha toalha
e mergulhar no mar.
Tenho certeza que quando regressar,
regresso puto novo
e com aquele sotaque do porto
dizendo: “ belho, carago?! Eu?!”
Publicado pelo meu amigo Paiva (Thor) num comentário ao Post: 4ª IDADE: ESPERANÇA OU PESADELO?
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A Liberdade é o espaço que a Felicidade precisa!
Publicado por Garota de Ipanema em Março 7, 2009
Escrevi este texto numa das minhas aulas, ao som de uma melodia agradável, tocada apenas, e no chão sentada.
“É ao ouvir esta música, e com as lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios, eu sei que sou um pouco estranha, que comento esta frase com um exemplo concreto: «A Liberdade é o espaço que a Felicidade precisa!».
Esta frase para mim tem um grande significado e porque eu, como todos sabem, sou música, e no início, quando ainda todos éramos de tenra idade, foi um factor de troça: sentia-me como aprisionada, como com medo de expressar o significado que a música começava a ter para mim. Deste modo, como podem imaginar, não era feliz. Chorei muitas lágrimas, mas não como as que me correm agora pela cara de felicidade por me poder libertar, eram lágrimas cheias de amargura, como se pautas de uma sinfonia inteira me corressem pela cara, de tal modo que nunca mais paravam!
Mas, talvez sim, talvez não, não sei, foram essas tão longas pautas que me envolveram, formando um escudo envolto de mim e me deram uma injecção de força para continuar a lutar e nunca deixar de afirmar aquilo que sou e que gosto! Que me deu força para não me importar com o que os outros pensam ou dizem sobre isso; para estar feliz na mesma quando lhes conto algo que para mim é extremamente emocionante, nomeadamente sobre música, e que para eles não tem significado algum e se começam a rir de mim! Sabem o que faço? Rio-me com eles também, porque estou Livre e, assim, estou Feliz!
Sou livre para assumir o que realmente gosto e assim sou feliz! Não continuo com lágrimas nos olhos. Mas também não continuo com aquele sorriso: tenho um bem maior! Porque fui livre de escrever, e, mesmo que se riam destas palavras ou trocem delas, eu vou continuar a sorrir! A ser Feliz!
Lá vêm as lágrimas. Destas não consegui, ainda, libertar-me!”
Garota de Ipanema.
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O mar diz que sim e diz que não!
Publicado por Luís Paulo em Março 7, 2009
Quando se olha o mar e se escuta o movimento do seu coração nas areias da praia, damos conta que o mar diz sim e diz não.
Da ilha de Samoa dá á costa da Europa um documento simples que alimenta e confunde o espírito europeu.
O mar diz sim e diz não!Homem selvagem e inculto serve em fina porcelana uma sopa cultural. Ficamos confusos por nos dizerem que o rei vai nu.
O mar diz sim e diz não!Já levou o documento e o não ficou na cultura do europeu.
O mar diz sim e diz não!Talvez a leitura destas culturas ditas selvagens, ajude a semear a esperança.
O mar diz sim e diz não!O homem não teceu a rede da vida, ele é só um dos seus fios.
Mas Paulo, Sou um selvagem e nada sei.O mar diz que sim e diz que não!
Confuso?!
O sol tem cambiantes de cor todos os dias…
Publicado pelo meu amigo Paiva (Thor) num comentário ao Post: O Papalagui… ou Tantas «coisas» para quê?!…
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Publicado por davidverde em Março 6, 2009

MICHEL GIACOMETTI, nascido a 08 de Janeiro de 1929, em Ajaccio na Córsega, andarilho em busca de vida, nas vozes e tradições dos sons do nosso Portugal profundo e esquecido.
Ao ver as imagens de arquivo da nossa RTP, fico emocionado, profundamente emocionado, ao aperceber-me que um homem alto de microfone e gravador de fita a tiracolo, caminha junto do lavrador, que entretanto risca a terra com o seu arado, usando-o como ferramenta de trabalho, é certo, mas também como se fosse instrumento musical de acompanhamento da voz, das canções, das melodias.
Giacometti, partilha a poeira e o suor, do lavrador, enquanto regista esses cantares e melodias que se teriam perdido nas sombras do tempo, se não estivesse ali.
O etnomusicólogo Giacometti, está sepultado em Peroguarda, Ferreira do Alentejo, não tendo a sua sepultura nenhuma alusão especial a quem foi Michel Giacometti.
Como homenagem e gratidão, agora sou eu que uso o gravador de fita, simbolicamente, é claro, e neste pequeno testemunho contribuir para não deixar cair no esquecimento, a poesia, o amor às coisas e às gentes dado por um estrangeiro aos nossos egrégios avós.
Obrigado Giacometti
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Bosque escondido
Publicado por davidverde em Março 5, 2009
Numa visita mais demorada
dos meus olhos
Observo
Dou conta que existe um bosque escondido
Para não dizer floresta
Nas palavras que habitam o blogue
Quando o pintor lança o pincel
Na tela crua
Nunca sabe ao certo o resultado
Dessa aventura
Assim também
Penso que nos textos expostos
E nesse bosque
Existem de facto seres invisíveis
Que se encarregam de alterar
Ou acrescentar em cada leitura
Uma nuance ou perspectiva diferente
Por isso talvez o meu assombro
Ao encontrar aqui e ali um rosto
Que vem comigo
Nas palavras e ornamenta o meu caminho
É a energia gráfica do pensamento
Ou eu a precisar de óculos!
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A minha amiga Liberdade!
Publicado por Luís Paulo em Março 5, 2009
Trouxeram-me um berço e nele dormia comigo a amiga liberdade. Sempre que tinha sonhos maus, pesadelos, olhava à minha volta e abraçava a liberdade. Hoje sou homem feito, dito adulto, e que falta me faz a minha amiga liberdade.
Não sei onde ela anda, penso que quando nos tornamos “adultos” ela parte para outro lado porque nos tornamos “chatos”. De quando em vez, gosto de ser infantil, desprezar as regras dos adultos e abraçar as palavras que querem sair comigo à rua. Sinto o abraço da liberdade quando me perco nas sombras da cidade e cumprimento o sol nos lábios da minha mulher. Ir à deriva e sentir o perfume das flores e carregar o meu coração com histórias e gentes simples.
Liberdade é um poema do coração, é um desejo racional de ter asas para voar…
PS: Gostava sempre de ser infantil, assim a minha amiga liberdade nunca me deixava e eu era mais feliz.
Um abraço de Thor
Publicado pelo meu amigo Paiva (Thor) num comentário ao Post: LIBERDADE!… com RESPONSABILIDADE!…
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Consumerismo: SIM – Consumismo: NÃO
Publicado por Luís Paulo em Março 4, 2009
Numa apologia totalmente pró-consumerista e anti-consumista a nossa Amiga Pepita deixa-nos o seu magnífico testemunho a propósito do discuro o chefe indígena Tuiavii, chefe de tribo de Tiavéa, da ilha Samoa, na Polinésia.
Caro Luís,
Entendo perfeitamente o que quer dizer… A minha filha mais velha entra este ano na escola e, no decorrer das compras de material escolar optei por não levar a minha filha comigo, (tal como também não o faço no natal), por achar que é uma “tortura” desnecessária. Na realidade, o que me pareceu ver nas lojas onde me dirigi foi um monte de ‘alarves’ de diversos tamanhos capaz de quase tudo pela última mochila ou pasta de determinada marca ( e muitos deles instigados pelos pais ou mães que os acompanhavam). Costumo dizer, (e cada vez penso mais que assim é), há duas coisas que se têm vindo a perder nos últimos anos, a educação e o bom senso…
A realidade é que a própria sociedade incute nas crianças que o seu valor se determina pelas roupas que vestem ou pelos carros que os pais conduzem… Tento combater esses preconceitos com todas as forças, mas confesso que nem sempre é fácil. Agrada-me ver que a minha filha (pelo menos agora) mantém-se imune a todas essas influências e continua a ser a minha influência a regê-la mais do que as restantes, mas o meu receio é que isso se venha a alterar.
Actualmente tento limpar a minha vida (e casa também) de todas as coisas supérfluas que adquiri ao longo dos anos. Até mesmo eu sofria desse mal, dessa necessidade inculcada de ter «coisas», até há algum tempo atrás. Mas num Natal passado, tudo se alterou! O momento de viragem foi quando, com a família toda junta, a minha filha só estava interessada em prendas, presentes, embrulhos… E o espírito de família? – Pensei eu na altura, quereria eu que a minha filha crescesse para ser uma daquelas meninas snobes e detestáveis que, só por terem alguns bens materiais inacessíveis a tantos outros pensam que são por isso mesmo melhores que os mesmos? Não, não estava nos meus planos deixar que isso acontecesse, então, comecei por purgar primeiro essas necessidades “falsas” do meu próprio organismo e actualmente não posso dizer que a minha filha seja completamente desprendida de bens materiais (afinal é de uma criança que estamos a falar), mas gosto que ela se preocupe com a irmã, com os pais, com os avós e até com os animaizinhos da casa. E muitas vezes, para ela, basta uma flor para fazer grandes brincadeiras com a irmã… E foi isso que eu tentei resgatar… E largar as «coisas» que dão uma falsa sensação de riqueza, porque riqueza mesmo… É amar…
Aproveito para lhe dar os parabéns pela remodelação do blogue e gostaria de pedir à pequena Liliana para voltar a escrever (se for de sua vontade, claro) porque nos faz falta a sua participação e seria uma pena desperdiçar o seu talento…
Obrigada.
Publicada por Pepita num comentário ao Post: O Papalagui… ou Tantas «coisas» para quê?!…
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A Amizade não se explica!
Publicado por Luís Paulo em Março 3, 2009
Há determinadas coisas que vemos que nos fazem pensar em alguém.
É curioso que, assim que vi estes bonecos, pensei logo no autor deste blogue. Porquê? Poderão perguntar. Bem, porque, quem o conhece, sabe que é o tipo de pessoa que nos marca para a vida e que, depois de o conhecermos e ultrapassarmos aquela capa, que ele por vezes veste (penso eu que, para afastar mal intencionados), vemos que estamos perante um AMIGO!
Claro que, ser amigo não significa viver em constante harmonia (mesmo porque a verdadeira amizade não é isso) mas, por vezes, entrarmos em verdadeiros debates sobre pequenos nadas que cada um de nós defende com “unhas e dentes” (e neste aspecto, és imbatível, meu Amigo!), sabendo que, por mais que se discorde nalguns pontos de vista, a Amizade, essa é imutável e constante.
Mas saber que, se precisarmos, temos alguém para nos apoiar incondicionalmente… Isso sim, é amizade!
Anos que passaram não alteraram em mim esta visão por isso, duvido que algo o venha a fazer…
Revejo-te em cada um destes quadrinhos e por isso, para mim, mesmo que longe… és um Amigo!!!
Porquê? “A amizade não se explica… Ela simplesmente acontece!!!”
…sempre…
Publicado por um(a) amigo(a) Oculto(a) Anónimo num comentário ao Post: O Melhor Tratamento…
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Prenda Incomensurável! – III
Publicado por Luís Paulo em Março 2, 2009
Como dizia a minha amiga Lorena Taveira há bem poucos dias “Os amigos podem ser comparados como “Anjos” [...] E estes amigos-anjos podem ser um amigo que sempre esteve ao nosso lado, desde a infância, ou aquele que mal conhecermos, que às vezes não percebemos a importância dele em nossas vidas, mas ao fim ele é muito importante, pois deixou marcas, momentos de felicidades e eternas saudades.”
Eis um exemplo de alguém que surge não sei de onde e aproxima-se de tal forma que é quase impossível não deixar marcas. Lembro-me que esta amiga apaixonou-se pelo blogue através do Post da minha filha Liliana sobre um projecto da sua escola (Rio Cáster. Observar, Intervir e Mudar) depois foi ficando por cá, proporcionando a todos opiniões bastante agradáveis. Falo-vos da menina Pepita. Também a sua prenda no dia do 1º aniversário do Eclectíssimo é Incomensurável.
Caro Luís,
Já não vinha ao seu blogue há algum tempo. Fiquei muito feliz por ter aqui vindo hoje e ter coincidido exactamente com o aniversário do eclectíssimo.
Acredito que a razão pela qual ele tem estado um pouquinho mais parado se deva a falta de tempo, o que é completamente compreensível, pois com tudo o que se propõe fazer, as 24 horas do dia devem ser insuficientes. Acredito que, com a Família, o trabalho, os estudos e algum descanso (não se esqueça que também faz muita falta), o triplo do tempo seria ainda insuficiente… Em relação ao aniversariante, gostava de felicitá-lo (a ambos)(*) pelo excelente trabalho que aqui tem desenvolvido e desejar muitas felicidades a ambos(*) para o futuro…
E muitos anos vindouros, contando sempre, claro está, com a colaboração de todos os que têm participado com comentários de grande valor (de pessoas que lhe são mais chegadas, como por exemplo o seu colega Thor – comentários sempre tão agradáveis de ler) e outros tantos, de ilustres desconhecidos, mas que aqui deixam o seu cunho nem que seja num breve comentário. Mais palavras para quê? O resultado deste excelente trabalho está à vista…
Parabéns… Obrigada.
Publicada por Pepita num comentário ao Post: Parabéns!…
(*) Quando fala em “ambos” a nossa amiga Pepita refere-se a mim e à minha filha Liliana através da qual, como já disse, ela tomou conhecimento do Eclectíssimo!
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Prenda Incomensurável! – II
Publicado por Luís Paulo em Março 1, 2009
Como qualquer dia de aniversário, é habitual os amigos brindarem-nos com prendas valiosas! As que o Eclectíssimo recebeu no seu 1º aniversário são Incomensuráveis. Aqui vos deixo mais uma, proveniente de um(a) amigo(a) que prefere não identificar-se mas que dá mostras de me conhecer bastante bem:
Parabéns, Eclectíssimo!!!
Por razões que não interessa agora invocar, não estava presente quando nasceu o Eclectíssimo, só o tendo ‘descoberto’ alguns meses depois, mas hoje, dia em que comemora 1 ano, sinto-me feliz por fazer parte da grande “família” que se formou através deste blogue. Esta é, sem dúvida, uma forma de aumentar/partilhar conhecimentos e experiências e também de manter-te (como grande Amigo que és), por perto.
Claro que, como autor do blogue, tens todo o mérito e deves sentir-te muito satisfeito pela forma como o blogue se tem desenvolvido. Desde os temas abordados até à forma como tantos os têm comentado (com mais ou menos sentimento à mistura), este blogue é sem sombra de dúvida um vencedor… E, da mesma forma, meu Amigo, também tu…
És um exemplo para muitos…sempre…
Publicado por um(a) amigo(a) Oculto(a) Anónimo num comentário ao Post: Parabéns!…
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