Os Cegos e o Elefante!
Posted by Luís Paulo em Novembro 11, 2008
Sempre que oiço alguém fazer considerações valorativas a respeito de terceiros, muitas vezes sem terem um conhecimento profundo dessa pessoa, costumo recorrer a uma conhecida fábula (ou lenda, talvez seja mais correcto chamar-lhe assim) para lhes mostrar o quanto estão a ser injustas. Trata-se da lenda (decididamente, vou chamar-lhe lenda) Dos Cegos e do Elefante.
Claro que utilizo sempre a fórmula abreviada, isto é, falo apenas do cego que apalpa o rabo do elefante e, tomando erradamente o todo pela parte, julga que o “possante e enorme animal” se resume àquela “inútil e pequena corda macia”.
Curiosamente encontrei recentemente essa lenda em alguns Blogues com um sentido final – vulgo Moral da história – bem diferente do que eu lhe costumo atribuir. E, mais curioso ainda, é que se pode utilizar para ilustrar o espírito de partilha, cooperação e colaboração que eu tenho vindo a apregoar.
Vou transcreve-la na fórmula completa e cada um lhe dará a interpretação que entender.
Reza a lenda (mais ou menos) assim:
“Era uma vez seis amigos, todos cegos, que moravam na Índia, terra dos maiores animais da Terra: os elefantes.
Naturalmente, não tinham a menor ideia de como era um elefante. Um dia, estavam sentados a conversar quando escutaram um urro.
– Acho que está passando um elefante pela rua – disse um deles. – É a nossa oportunidade de descobrir que tipo de criatura é esse tal de elefante. – E foram todos para a rua.
O primeiro cego esticou o braço, tocou na orelha do elefante e pensou: – “Ah! O elefante é uma coisa áspera, ondulada. É como um leque.”
O segundo cego pegou na tromba e concluiu: – “Agora entendo. O elefante é uma coisa comprida e redonda. É como uma cobra gigante.”
O terceiro cego agarrou-se a uma perna do elefante e certificou-se: – “Eu jamais iria adivinhar! O elefante é alto e forte, como uma árvore.”
O quarto cego pegou o lado da barriga do elefante dizendo para si mesmo: – “Agora eu sei. O elefante é largo e liso como uma parede.”
O quinto cego passou a sua mão por uma das presas do animal, assustando-se: – “O elefante é um animal duro e pontiagudo como uma lança.”
O sexto cego pegou no rabo do elefante e decepcionou-se: “Ora, ora! Mas esse tal de elefante é apenas uma coisinha como uma cordinha fina!”

Posto isto sentaram-se juntos novamente, para falar sobre o elefante.
–Ele é áspero e ondulado, como um leque! – disse o primeiro.
– Nada disso; é comprido, como uma cobra – disse o segundo.
– Não digas asneiras! – riu o terceiro. – Ele é alto e firme, como uma árvore.
– Ah, nada disso – disse o quarto. – Ele é largo e liso, como uma parede.
– Duro e pontiagudo, como uma lança! – gritou o quinto.
– Fininho e comprido, como uma cordinha! – esganiçou-se o sexto.
Então começaram todos discutir com exaltação, à beira da violência física. Cada um insistia que tinha razão. Afinal, não tinham tocado com as suas próprias mãos o corpo do animal?!
O dono do elefante ouviu a gritaria e decidiu ver que confusão era aquela.
– Cada um de vós está correcto no que afirma, segundo o que vos foi dado conhecer; mas cada um de vós está igualmente errado – disse ele. E continuou, sentenciando: – Um homem sozinho não consegue saber toda a verdade, só uma pequena parte dela. Porém, se trabalharmos juntos, cada um contribuindo com a sua parte para a formação do todo, aí sim poderemos obter sabedoria.”
Cá está, uma perspectiva diferente, mas válida também… e haverá mais, certamente!…
Post Scriptum: No preciso momento que me preparava para publicar este texto, fiz uma pesquisa no Google e… espanto o meu… descubro que existe uma edição da Editora Pergaminho com o mesmo título que atribuo a este Post e que tem como sub título “Manual de Trabalho em Equipa”.
Ele há coisas!… 
P.S.: Publicado por L.P. em http://ruadosbragas223.blogspot.com no dia 5 de Novembro de 2008.

Garota de Ipanema said
Quero iniciar a minha participação com um agradecimento ao moderador deste site, Luís Paulo, por ter publicado este artigo, já que não tinha conhecimento sobre a lenda em questão.
Ao ler isto formulei uma opinião, a qual consistia em que todos os jovens do 3º ciclo escolar, tivessem como leitura de texto obrigatório esta lenda, já que é nas idades, médias, deste ciclo, que os jovens começam a ter capacidades de fazer juízos de valor, sobre as pessoas que os rodeiam. Mais uma vez aprendi algo com um artigo do Eclectíssimo.
Muito Obrigada.
Luís Paulo said
Garota de Ipanema,
É um prazer contar com o teu regresso. E com que prazer redobrado saboreei as tuas palavras!
Fico muito contente por saber que o Blogue consegue atingir o coração das pessoas, principalmente de jovens como tu. Sê bem-vinda. Espero contar contigo mais vezes. Vou mais longe, até! Caso queiras ser co-autora do Blogue basta que expressamente manifestes essa vontade e eu enviar-te-ei um convite na mesma hora… pensa nisso!
Um beijinho e muitas felicidades!
L.P.