O Desejado
Posted by Garota de Ipanema em Dezembro 4, 2008

Durante séculos o povo português ansiou pelo regresso de O Desejado, o tão desejado D. Sebastião. Este desapareceu, segundo conta a lenda, na batalha de Alcácer Quibir, deixando assim Portugal em graves crises, tanto económicas como de sucessão ao trono, já que poderia perder a sua independência por D. Sebastião não ter filhos. Mas como é tipicamente português ficar de “braços cruzados” quando surge algum problema, esperando assim que alguém o resolva, estes ficaram à espera do regresso de D. Sebastião.
Esta situação é ainda actual.
Um exemplo concreto disso são os graves problemas económicos que o país vive. Estes problemas não tiveram início há alguns anos atrás, mas sim há algumas décadas. Ao longo dos tempos, dívidas e mais dívidas foram-se acumulando, governos e governos foram deixando para trás, esperando que o próximo governo solucionasse o problema. Hoje são as classes média e baixa que mais sentem o problema, enquanto o governo espera que alguém, algum D. Sebastião, venha resolver este problema e tudo fique bem.
Penso que esta “falsa esperança” acabe pois o país não pode viver de esperanças ou mitos, já que vivemos numa realidade catastrófica.
Garota de Ipanema

rodrigues said
pois! pois! uma tragédia… no entanto, como diria o nosso saudoso romancista, Camilo Castelo Branco ” Os dias prósperos não vêm por acaso. São granjeados, como as searas, com muita fadiga e com muitos intervalos de desalento.” de salientar que além de romancista, Camilo Castelo Branco foi também cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor.
Luís Paulo said
Há dois traços essenciais que caracterizam o Português:
1 – quer sempre sol na eira e chuva no nabal;
2 – está sempre à espera que alguém resolva os seus problemas.
É muito provável que o “mito sebastianista” se tenha entranhado de tal forma no espírito do Português que possa já ter integrado o nosso código genético.
Poderia ainda acrescentar uma terceira característica que é a de “ficar sempre à espera de dias melhores”. Ora, ficar à espera de dias melhores pressupões inanição e todos sabemos que o mundo não pára. O mundo nunca parou e por isso é que se diz por aí que estamos atrasados meio século em relação aos restantes povos ditos Desenvolvidos. E se nos atrasámos meio século partindo de uma base inicial semelhante, o nada, então agora, com o desenvolvimento dos outros e o nosso atraso, a tendência será para o fosso se agravar. Tanto mais que o mundo actual gira a um ritmo estonteante.
Ficar de braços cruzados à espera que melhores dias venham é perigoso. Posso dar um exemplo mais que actual: toda a gente esperava a descidas das taxas de juro para revitalizar a economia. Ora a descida das taxas de juro aí está e a bom ritmo. Vamos ver se este espírito de ficar à espera que amanhã venha melhor que hoje não acarrete um efeito perverso dessa tão ambicionada descida das taxas de juro.
Vamos ficar à espera que os preços amanhã desçam abaixo dos de hoje, e se isso se verificar é óptimo, mas também é sinónimo de que no dia seguinte podem baixar mais ainda e por aí adiante.
Logo de seguida acontece que as empresas não conseguem escoar os seus stoks os quais aumentaram na esperança de que o consumo aumentasse com a descida das taxas de juro.
O Português que é esperto, e espera sempre que o dia de amanhã seja melhor que o de hoje, vai aguardar serenamente que as empresas coloquem os produtos no mercado a preços da chuva. Isso acontecerá e muitas empresas (espantosamente e a contra-ciclo) irão encerrar as suas portas porque venderam os produtos abaixo do preço de custo.
O português está feliz com as compras que fez ao preço da chuva até ao momento em que chega a casa e a/o mulher/marido/filha/filho/mãe/Pai/irmã/irmão lhe diz: estou desempregado/a minha empresa faliu/vou ter que encerrar a empresa, etc. etc.
O que (nos) vale é D. Sebastião!…
Muito bem visto o teu tema, Garota de Ipanema!
Thor said
O MEU SEBASTIÃO É UM GOLFINHO
QUE DE QUANDO EM VEZ,
DO MAR ME ACENA E SE APROXIMA DO MEU BARCO.
BRINCA SEMPRE,
OU PARECE-ME A MIM FAZÊ-LO, QUE SEI EU?!,
ATÉ QUE DE MERGULHO EM MERGULHO DESAPARECE
PARA DE QUANDO EM VEZ
SE RIR NA MINHA CARA E DIZER QUE ESTÁ FELIZ.
EU, PERTENCENTE AO SUBLIME REINO DOS ANIMAIS SUPERIORES,
INVEJO-LHE O VIVER, O MERGULHO, AQUELE SORRISO BRANCO,
E A PELE MACIA.
O MEU SEBASTIÃO É ASSIM,
DÓCIL O QUANTO BASTE,
REI NO SEU MUNDO E PROFESSOR.
ESPERO SEMPRE QUE O MEU SEBASTIÃO REGRESSE,
NÃO PARA CUMPRIR O SONHO DE PORTUGAL,
MAS PARA ME DIZER, BOM DIA OU UM SIMPLES OLÁ
E DIZER-ME: “ EU TAMBÉM TE CHAMO SEBASTIÃO”.
Desculpa, é o meu lado lunar