
fantasia em dó
Posted by davidverde em Agosto 31, 2009

fantasia em dó
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Posted by davidverde em Agosto 26, 2009

complete a história...
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Posted by davidverde em Julho 21, 2009
QUERO TER OS DEDOS SOLTOS
E NAS LINHAS
TOCAR O POR-DO SOL
A FANTASIA DESTE HOMEM NA LUA!
QUERO OUVIR JAZZ
NAS ONDAS DO MAR
QUERO MOLHAR OS OLHOS
NOS POEMAS DE NERUDA
E DEPOIS SEGREDAR-TE
AO OUVIDO
APENAS COM OS OLHOS
A FANTASIA DESTE HOMEM NA LUA!
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Posted by davidverde em Julho 17, 2009

o risco
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Posted by davidverde em Julho 1, 2009
Quando governava o mundo da fantasia, em surdina gritava
Até espantar onomatopeias, que é como quem diz, gritava do, e para o caraças.
Mas hoje não!
Sou pessoa austera, taciturna, até em demasia, confesso, pois assim para que enquanto escrevo fazer “delete” de qualquer aventura que não esteja prevista na lei.
Mas aqui que ninguém nos ouve, também confesso, parece um confessionário.
Gosto apenas de escrever em transgressão, construir auto-estradas sem rectas.
Aventura na selva amazónica das palavras.
Encontrar e a minha mente em êxtase juntar o puzzle.
Obs.:
Caro amigo quando acordei, dei por mim de quatro patas, o meu dono a chamar-me “Pluto” e eu a pensar que falava em “Portunhol” dizendo: “ Mira nos outros somos um Perro “!
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Posted by Luís Paulo em Maio 30, 2009
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Posted by Luís Paulo em Maio 4, 2009
Abraços são dados de muitas formas
e com diferentes significados.
Tem abraços que dizem
“Fico muito contente com a sua amizade…”
Existem abraços que expressam
o orgulho que se sente por alguém especial!…
Também há abraços que dizem
“Não existe ninguém no mundo igual a você…”
Há abraços doces e ternos
que são dados em momentos de tristeza…
Com um abraço também podemos dizer
“Sinto muito”, quando alguém está passando
por um momento difícil…
Há abraços que damos para dizer
“Que bom que você veio”, e outros que dizem
“Sentirei sua falta, quando você
estiver longe de mim…”
E não faltam esses abraços perfeitos
para fazer as pazes…
E os abraços cheios de carinho,
que nascem do coração…
Como você vê, existem abraços
para diferentes ocasiões;
abraços rápidos e abraços demorados,
um para cada razão…
Porém de todos os abraços,
o mais carinhoso é aquele que diz
“Você está sempre no meu pensamento
porque eu te quero muito!”
(E sempre será assim!)
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Posted by Luís Paulo em Maio 2, 2009
«A noite ainda tem muito para durar. A candeia de azeite, dependurada de um prego ao lado da porta, está acesa, mas a chama, como uma pequena amêndoa luminosa pairando, mal consegue, trémula, instável, suster a massa escura que a rodeia e enche de cima a baixo a casa, até aos últimos recantos, lá onde as trevas, de tão espessas, parecem ter-se tornado sólidas. José acordou em sobressalto, como se alguém, bruscamente, o tivesse sacudido pelo ombro, mas teria sido ilusão de um sonho logo desvanecido, que nesta casa só ele vive, e a mulher, que não se mexeu, e dorme. Não é seu costume despertar assim a meio da noite, em geral não acorda antes de a larga frincha da porta começar a emergir do escuro, cinzenta e fria. Inúmeras vezes pensara que deveria tapá-la, nada mais fácil para um carpinteiro, ajustar e pregar uma simples régua de madeira que sobrasse duma obra, porém, a tal ponto se tinha habituado a encontrar na sua frente, mal abria os olhos, aquela vara vertical de luz, anunciadora do dia, que acabara por imaginar, sem ligar ao absurdo da ideia, que, faltando ela, poderia não ser capaz de sair das trevas do sono, as do seu corpo e as do mundo. A frincha da porta fazia parte da casa, como as paredes ou o tecto, como o forno ou o chão de terra apisoada. Em voz baixa, para não acordar a mulher, que continuava a dormir, pronunciou a primeira bênção do dia, aquela que sempre deve ser dita quando se regressa do misterioso país do sono, Graças te dou, Senhor, nosso Deus, rei do universo, que pelo poder da tua misericórdia, assim me restituis, viva e constante, a minha alma.
Talvez por não se encontrar igualmente desperto em cada um dos seus cinco sentidos, se é que, então, nesta época de que vimos falando, não estavam as pessoas ainda a aprender alguns deles ou, pelo contrário, a perder outros que hoje nos seriam úteis, José olhava-se a si mesmo como se fosse acompanhando, a distância, a lenta ocupação do seu corpo por uma alma que aos poucos estivesse regressando, igual a fios de água que, avançando sinuosos pelos caminhos das regueiras, penetrassem a terra até às mais fundas raízes, transportando a seiva, depois, pelo interior dos caules e das folhas. E por ver quão trabalhoso era este regresso, olhando a mulher, a seu lado, teve um pensamento que o perturbou, que ela, ali adormecida, era verdadeiramente um corpo sem alma, que a alma não está presente no corpo que dorme, ou então não faz sentido que agradeçamos todos os dias a Deus por todos os dias no-la restituir quando acordamos, e nesta altura uma voz dentro de si perguntou, O que é que em nós sonha o que sonhamos, Porventura os sonhos são as lembranças que a alma tem do corpo, pensou a seguir, e isto era uma resposta. Maria moveu-se, acaso a alma dela estaria ali por perto, já dentro de casa, mas no fim não despertou, apenas andaria em afãs de sonho, e, tendo soltado um suspiro fundo, entrecortado como um soluço, chegou-se para o marido, num movimento sinuoso, porém inconsciente, que jamais ousaria quando acordada. José puxou o lençol grosso e áspero para os ombros e aconchegou melhor o corpo na esteira, sem se afastar. Sentiu que o calor da mulher, carregado de odores, como de uma arca fechada onde tivessem secado ervas, lhe ia penetrando pouco a pouco o tecido da túnica, juntando-se ao calor do seu próprio corpo. Depois, deixando descer devagar as pálpebras, esquecido já de pensamentos, desprendido da alma, abandonou-se ao sono que voltava.
Só tornou a acordar quando o galo cantou. A frincha da porta deixava passar uma cor grisalha e imprecisa, de aguada suja. O tempo, usando de paciência, contentara-se com esperar que se cansassem as forças da noite e agora estava a preparar o campo para a manhã chegar ao mundo, como ontem e sempre, em verdade não estamos naqueles dias fabulosos em que o sol, a quem já tanto devíamos, levou a sua benevolência ao ponto de deter, sobre Gabaon, a sua viagem, assim dando a Josué tempo de vencer, com todos os vagares, os cinco reis que lhe cercavam a cidade. José sentou-se na esteira, afastou o lençol, e nesse momento o galo cantou segunda vez, lembrando-lhe que se encontrava em falta de uma bênção, aquela que se deve à parte de méritos que ao galo coube quando da distribuição que deles fez o Criador pelas suas criaturas, Louvado sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, que deste ao galo inteligência para distinguir o dia da noite, isto disse José, e o galo cantou terceira vez. Era costume, ao primeiro sinal destas alvoradas, responderem-se uns aos outros os galos da vizinhança, mas hoje ficaram calados, como se para eles a noite ainda não tivesse terminado ou mal tivesse começado. José, perplexo, olhou o vulto da mulher, estranhando-lhe o sono pesado, ela que o mais ligeiro ruído fazia despertar, como um pássaro. Era como se uma força exterior, descendo, ou pairando, sobre Maria, lhe comprimisse o corpo contra o solo, porém não tanto que a imobilizasse por completo, notava-se mesmo, apesar da penumbra, que a percorriam súbitos estremecimentos, como a água de um tanque tocada pelo vento. Estará mal, pensou, mas eis que um sinal de urgência o distraiu da preocupação incipiente, uma instante necessidade de urinar, também ela muito fora do costume, que estas satisfações, na sua pessoa, habitualmente manifestavam-se mais tarde, e nunca tão vivamente. Levantou-se, cauteloso, para evitar que a mulher desse pelo que ia fazer, pois escrito está que por todos os modos se deve preservar o respeito de um homem, só quando de todo em todo não for possível, e, tendo aberto devagar a porta que rangia, saiu para o pátio. Era a hora em que o crepúsculo matutino cobre de cinzento as cores do mundo. Encaminhou-se para um alpendre baixo, que era a barraca do jumento, e aí se aliviou, escutando, com uma satisfação meio consciente, o ruído forte do jacto de urina sobre a palha que cobria o chão. O burro voltou a cabeça, fazendo brilhar no escuro os olhos salientes, depois sacudiu com força as orelhas peludas e tornou a meter o focinho na manjedoura, a tentear os restos da ração com os beiços grossos e sensíveis. José aproximou-se da talha das abluções, inclinou-a, fez correr a água sobre as mãos, e depois, enquanto as enxugava na própria túnica, louvou a Deus por, em sua sabedoria infinita, ter formado e criado no homem os orifícios e vasos que lhe são necessários à vida, que se um deles se fechasse ou abrisse, não devendo, certa teria o homem a sua morte. Olhou José o céu, e em seu coração pasmou.
O sol ainda tarda a despontar, não há, por todos os espaços celestes, o mais lavado indício dos rubros tons do amanhecer, sequer uma pincelada leve de róseo ou de cereja mal madura, nada, a não ser, de horizonte a horizonte, tanto quanto os muros do pátio lhe permitiam ver, em toda a extensão de um imenso tecto de nuvens baixas, que eram como pequenos novelos espalmados, iguais, uma cor única de violeta que, principiando já a tornar-se vibrante e luminosa do lado donde há-de romper o sol, vai progressivamente escurecendo, mais e mais, até se confundir com o que, do lado de além, ainda resta da noite. Em sua vida, José nunca vira um céu como este, embora nas longas conversas dos homens velhos não fossem raras as notícias de fenómenos atmosféricos prodigiosos, todos eles mostras do poder de Deus, arcos-íris que enchiam metade da abóbada celeste, escadas vertiginosas que um dia ligaram o firmamento à terra, chuvas providenciais de manjar-do-céu, mas nunca esta cor misteriosa que tanto podia ser das primordiais como das derradeiras, flutuando e demorando-se sobre o mundo, um tecto de milhares de pequenas nuvens que quase se tocavam umas às outras, espalhadas em todas as direcções como as pedras do deserto. Encheu-se-lhe o coração de temor, imaginou que o mundo ia acabar, e ele posto ali, única testemunha da sentença final de Deus, sim, única, há um silêncio absoluto na terra como no céu, nenhum rumor se ouve nas casas vizinhas, uma voz que fosse, um choro de criança, uma prece ou uma imprecação, um sopro de vento, o balido duma cabra, o ladrar dum cão, Por que não cantam os galos, murmurou, e repetiu a pergunta, ansiosamente, como se de cantarem galos é que pudesse vir a última esperança de salvação. Então, o céu começou a mudar. Pouco a pouco, quase sem perceber-se, o violeta tingia-se e deixava-se penetrar de rosa-pálido na face interior do tecto de nuvens, avermelhando-se depois, até desaparecer, estava ali e deixara de estar, e de súbito o espaço explodiu num vento luminoso, multiplicou-se em lanças de ouro, ferindo em cheio e trespassando as nuvens, que, sem saber-se porquê nem quando, haviam crescido, tornadas formidáveis, barcas gigantescas arvorando incandescentes velas e vogando num céu enfim liberto. Desafogou-se, já sem medos, a alma de José, os olhos dilataram-se-lhe de assombro e reverência, não era o caso para menos, de mais sendo ele o único espectador, e a sua boca proferiu em voz forte os louvores devidos ao criador das obras da natureza, quando a sempiterna majestade dos céus, tendo-se tornado pura inefabilidade, não pode esperar do homem mais do que as palavras mais simples, Louvado sejas tu, Senhor, por isto, por aquilo, por aqueloutro.
Disse-o ele, e nesse instante o rumor da vida, como se o tivesse convocado a sua voz, ou apenas entrando de repente por uma porta que alguém de par em par abrisse sem pensar muito nas consequências, ocupou o espaço que antes pertencera ao silêncio, deixando-lhe apenas pequenos territórios ocasionais, mínimas superfícies, como aqueles breves charcos que as florestas murmurantes rodeiam e ocultam. A manhã subia, expandia-se, e em verdade era uma visão de beleza quase insuportável, duas mãos imensas soltando aos ares e ao voo uma cintilante e imensa ave-do-paraíso, desdobrando em radioso leque a roda de mil olhos da cauda do pavão-real, fazendo cantar perto, simplesmente, um pássaro sem nome.
Um sopro de vento ali mesmo nascido bateu na cara de José, agitou-lhe os pêlos da barba, sacudiu-lhe a túnica, e depois girou à volta dele como um espojinho atravessando o deserto, ou isto que assim lhe parecia não era mais do que o aturdimento causado por uma súbita turbulência do sangue, o arrepio sinuoso que lhe estava percorrendo o dorso como um dedo de fogo, sinal de uma outra e mais insistente urgência.
Como se se movesse no interior da rodopiante coluna de ar, José entrou em casa, cerrou a porta atrás de si, e ali ficou encostado por um minuto, aguardando que os olhos se habituassem à meia penumbra. Ao lado dele, a candeia brilhava palidamente, quase sem irradiar luz, inútil. Maria, deitada de costas, estava acordada e atenta, olhava fixamente um ponto em frente, e parecia esperar.
Sem pronunciar palavra, José aproximou-se e afastou devagar o lençol que a cobria. Ela desviou os olhos, soergueu um pouco a parte inferior da túnica, mas só acabou de puxá-la para cima, à altura do ventre, quando ele já se vinha debruçando e procedia do mesmo modo com a sua própria túnica, e Maria, entretanto, abrira as pernas, ou as tinha aberto durante o sonho e desta maneira as deixara ficar, fosse por inusitada indolência matinal ou pressentimento de mulher casada que conhece os seus deveres. Deus, que está em toda a parte, estava ali, mas, sendo aquilo que é, um puro espírito, não podia ver como a pele de um tocava a pele do outro, como a carne dele penetrou a carne dela, criadas uma e outra para isso mesmo, e, provavelmente, já nem lá se encontraria quando a semente sagrada de José se derramou no sagrado interior de Maria, sagrados ambos por serem a fonte e a taça da vida, em verdade há coisas que o próprio Deus não entende, embora as tivesse criado.
Tendo pois saído para o pátio, Deus não pôde ouvir o som agónico, como um estertor, que saiu da boca do varão no instante da crise, e menos ainda o levíssimo gemido que a mulher não foi capaz de reprimir. Apenas um minuto, ou nem tanto, repousou José sobre o corpo de Maria. Enquanto ela puxava para baixo a túnica e se cobria com o lençol, tapando depois a cara com o antebraço, ele, de pé no meio da casa, de mãos levantadas, olhando o tecto, pronunciou aquela sobre todas terrível bênção, aos homens reservada, Louvado sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, por não me teres feito mulher. Ora, a estas alturas, Deus já nem no pátio devia estar, pois não tremeram as paredes da casa, não desabaram, nem a terra se abriu. Apenas, pela primeira vez, se ouviu Maria, e humildemente dizia, como de mulheres se espera que seja sempre a voz, Louvado sejas tu, Senhor, que me fizeste conforme a tua vontade, ora, entre estas palavras e as outras, conhecidas e aclamadas, não há diferença nenhuma, repare-se, Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra, está patente que quem disse isto podia, afinal, ter dito aquilo.
Depois, a mulher do carpinteiro José levantou-se da esteira, enrolou-a juntamente com a do marido e dobrou o lençol comum.»
in: SARAMAGO, José – O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Editorial Caminho, 1991
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Posted by Luís Paulo em Abril 25, 2009
A minha Liberdade é a Vossa Felicidade!
A Liberdade é como a Vida, só a merece quem se empenha em conquistá-la e preservá-la todos os dias!” – Goethe
Há um ano no Eclectíssimo: LIBERDADE!… com RESPONSABILIDADE!…
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Posted by davidverde em Abril 25, 2009
Hirto, firme
Como um símbolo fálico
Expoente máximo do auge
Logótipo de revolução.
Agora amorfo, inerte
Jaz pelo chão.
Adeus Abril, Adeus Revolução!
Agora, visito o mar
Lambo as feridas
E tempero-as com sal,
Mas,
Que ninguém me leve a mal
É altura de pensar
Pensa Portugal!
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Posted by davidverde em Abril 24, 2009
“E ninguém se escuse — como escusam alguns — com a rudeza da gente, e com dizer, como acima dizíamos, que são pedras, que são troncos, que são brutos animais, porque, ainda que verdadeiramente alguns o sejam ou o pareçam, a indústria e a graça tudo vence, e de brutos, e de troncos, e de pedras os fará homens. Dizei-me, qual é mais poderosa, a graça ou a natureza? A graça, ou a arte? Pois o que faz a arte e a natureza, por que havemos de desconfiar que o faça a graça de Deus, acompanhada da vossa indústria? Concedo-vos que esse índio bárbaro e rude seja uma pedra: vede o que faz em uma pedra a arte. Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe, e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão, e começa a formar um homem, primeiro membro a membro, e depois feição por feição, até a mais miúda: ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos; aqui desprega, ali arruga, acolá recama, e fica um homem perfeito, e talvez um santo que se pode pôr no altar. O mesmo será cá, se a vossa indústria não faltar à graça divina. É uma pedra, como dizeis, esse índio rude? Pois, trabalhai e continuai com ele — que nada se faz sem trabalho e perseverança — aplicai o cinzel um dia e outro dia, dai uma martelada e outra martelada, e vós vereis como dessa pedra tosca e informe fazeis não só um homem, senão um cristão, e pode ser que um santo.”
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Posted by davidverde em Abril 24, 2009
“Quem olhasse neste passo para o mar e para a terra, e visse na terra os homens tão furiosos e obstinados e no mar os peixes tão quietos e tão devotos, que havia de dizer? Poderia cuidar que os peixes irracionais se tinham convertido em homens, e os homens não em peixes, mas em feras. Aos homens deu Deus uso de razão, e não aos peixes; mas neste caso os homens tinham a razão sem o uso, e os peixes o uso sem a razão”;
“Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas; vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer e como se hão-de comer.”
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Posted by Luís Paulo em Abril 23, 2009
Os nove princípios que acabo de referir são princípios que eu apelidaria de modo. Caracterizam o modo do relacionamento pedagógico com as crianças quando temos em vista o desenvolvimento da sua autonomia. O modo como ensino é fascinando-os pelos objectos e, em todo o processo de aprendizagem, o modo como me relaciono com as crianças é respeitando-as, encorajando-as, compreendendo-as, confrontando-as, etc…
Gostava agora de introduzir um último princípio que deve colorar todos os outros, que lhes deve dar o sabor especial e a dignidade final. Um princípio, não de modo, mas de qualidade – o princípio da exigência.
Temos que ensinar muitas coisas e muito às nossas crianças. Temos que as preparar para uma vida de rigor, de qualidade e de extrema complexidade.
Assim, aqueles princípios de modo devem-se entender no contexto de um desenvolvimento esforçado, de uma intolerância pela mediocridade, de uma contínua insatisfação pelo estádio adquirido. As crianças não arrebentam. Quanto mais exigimos delas, contanto que seja com respeito, com o devido encorajamento e compreensão, mais elas se sentem queridas, desejadas e entusiasmadas. O bom professor não aceita trabalhos mal feitos, respostas mal articuladas, projectos sem gosto nem cuidado. Ao desportista não se lhe deve desculpar o desleixo académico, nem ao «marrão» se lhe pode perdoar o descuido nas artes e no desporto. Todos podem ser melhores em tudo e ninguém pode ficar para trás. Sobretudo, que ninguém aceite aquelas desculpas de mau pagador, que todos sabemos são apenas álibis para a nossa preguiça ou para a nossa falta de imaginação. Não é por não haver pavilhão que não se dá ginástica – pode-se fazer exercício em qualquer campo; nem é por não haver sala de Arte que não se estimulam as qualidades artísticas – pode-se fazer o desenho em qualquer carteira.
Há épocas na história em que a geração adulta exige pouco ou menos da geração mais nova. São épocas de complacência e que apontam para um irremediável declínio. Creio que não nos encontramos em tal época. Pelo contrário, de todos os lados nos invade o descontentamento com o que possuímos e com o que somos e a aspiração de, pelo menos, darmos aos nossos filhos algo melhor do que aquilo que nós tivemos. Ora, o melhor que lhes podemos dar é a preparação necessária para que eles, autónomos, empreendedores e activos, possam estar aptos a lutarem por alcançar a qualidade de vida que nós não pudemos conseguir.
A grande barreira a esta tarefa seria ou a falta de amor sério ou um psicologismo barato que, sob a desculpa da compreensão, facilitasse tanto a vida das nossas crianças que elas se não desenvolvessem nem crescessem.
A Reforma Educativa é e deve ser uma reforma de exigência e de qualidade, para todos e em todos os aspectos.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 67-68Posted in Ética e Educação | Com as etiquetas : A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Posted by Luís Paulo em Abril 21, 2009
Nem todas as necessidades resultam em conflitos, nem todas as opiniões têm de provocar desavenças, nem todos os sentimentos chocam ou desiludem os outros. Pelo contrário, a partilha de ideias, opiniões e sentimentos é o processo normal de aprofundar a amizade, construir a intimidade e desenvolver esse ingrediente essencial da autonomia que é o estar-se contente consigo próprio e com a sua maneira de ser. Chama-se, correctamente, a esta partilha de ideias e a este vaivém de troca de impressões diálogo. Devia ser ele o ambiente em que normalmente se move a criança na escola e em casa. É quando chega à escola e quer contar logo à professora o presente que recebeu, ou o trabalho novo que o pai arranjou; ou quando caiu e se esfolou e vem logo mostrar à professora; ou quando o menino lhe bateu, ou quando lhe desapareceu o lápis. E, se a professora atenta a estas coisas pequeninas, escuta e aceita a partilha, se ela também se vai exprimindo ao mesmo nível e com a mesma franqueza, então virá a altura em que o que a criança quer é contar o medo que tem à noite quando o pai sai de casa, ou a pena que sente do avô que morre de bronquite, ou a ansiedade que a invade quando o pai briga com a mãe…
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, p. 67Posted in Ética e Educação | Com as etiquetas : A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Posted by Luís Paulo em Abril 19, 2009
Contava-me um dia um pai, simples operário de uma fábrica de têxteis, que difícil fora, ao princípio, chegar a casa cansado do dia e ter ainda que brincar com o filho de 4 anos, que parece que reservava toda a sua energia para essa altura. A única coisa por que ele ansiava nesse momento era deitar-se em cima da cama e ler a Bola ou outro qualquer outro jornal inofensivo. Mas enfim, também compreendia que o filho precisava da sua companhia e que este era para ele o momento mais alto do dia. Até que um dia, teve uma ideia. Convidou o garoto de quatro anos a deitar-se ao lado dele na cama e deu-lhe, para fingir que lia, uma gazeta mais pequena, enquanto ele lia a tão desejada Bola. Depois de assim descansarem, ia então brincar com o filho.
O que este pai fez, em silêncio, e despretensiosamente, foi negociar criativamente com o filho. O pai reconheceu a necessidade do filho, mas reconheceu também a sua própria necessidade. Em vez de tomar uma decisão, em que um vencia e outro ficava vencido, em vez de escolher uma saída que satisfazia a necessidade do filho mas abafava a sua e vice-versa, ultrapassou o quadro em que ambos se moviam e encontrou a solução criativa que satisfazia os dois. É a win-win relationship de que falam os teóricos ingleses da negociação, ou la relation donant-donant a que se referem os franceses.
Cheio está o dia da criança, na escola, de conflitos de necessidades com os outros colegas ou com a professora. A arte de educar na autonomia consiste no contínuo esforço para promover, não soluções de compromisso em que todos perdem um pouco, mas alternativas de superação em que todos ganham tudo.
Esta operação, que consiste em reconhecer primeiro a sua própria necessidade, saltar depois para o ponto de vista do outro e reconhecer também as suas exigências, e finalmente alçar-se para um terceiro plano, para encontrar uma solução para ambos, é uma operação formal que só lá para os 13 ou 14 anos a criança consegue fazer. Até essa altura, a criança ou está presa ao seu próprio ponto de vista ou, quando muito, consegue ver o ponto de vista do outro. Só o adolescente começa a ser capaz de se levantar a um terceiro plano. É, portanto, o professor que tem de conduzir esta difícil negociação, só ele pode iniciar e manter esta atitude de transcendência dos próprios limites, só ele pode educar, porque é verdadeiramente de educar que estamos a falar. Educar a viver com a sua autonomia em confronto com a autonomia dos outros.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 66-67Posted in Ética e Educação | Com as etiquetas : A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Posted by Luís Paulo em Abril 16, 2009
A vida foi sempre considerada como grande mestra do desenvolvimento da pessoa. É a experiência acumulada que nos enche de sabedoria, é o sofrimento que nos tempera a vontade, é a memória dos acontecimentos felizes que nos enraíza e enquadra. Mas, sobretudo, são as consequências das nossas acções que nos vão dirigindo, ensinando-nos a caminhar por uma direcção e evitar outra. No entanto, as nossas acções só nos podem dirigir e ensinar se formos autorizados a ressentir-lhes as consequências, se não nos pouparem o sofrimento ou a alegria que nos causam. Infelizmente, com tanta frequência, pais ou professores poupam às crianças os efeitos das suas acções, desperdiçando assim um óptimo método de disciplina que não humilha, não ofende e não impede a autonomia.
Assim, se a criança se levanta tarde e perde o autocarro, não a castiguem nem a absolvam nem muito menos esperem por ela: deixem-na ir a pé; há-de aprender que quem não se levanta a tempo tem que ir à sua custa. Se perdeu o livro, não lhe dêem a bofetada, nem lhe comprem outro: obriguem-na a pagar do seu bolso. Se não fez os trabalhos de casa, não berrem com ela e não a desculpem: terá, por exemplo, de ficar mais tempo na escola para os acabar.
Esta educação pelas consequências foi especialmente desenvolvida pelo clássico pedagogo Rudolpf Dreicurs, que a opôs, por um lado, à educação pelo castigo e por outro à educação pela exortação ou pela completa desculpabilização. No fundo, o que o educador faz é afastar-se da zona de conflito e organizar a situação de tal modo que o educando se veja confrontado com as próprias acções e suas consequências, aprenda delas e, autonomamente, decida tirar os ensinamentos correspondentes. Talvez o educador, numa feliz inversão de papéis, até se torne na presença amiga que apoia o aluno a sofrer com dignidade as consequências das suas acções, em vez de ser juiz ou o algoz que cruelmente observa o castigado a sofrer a pena que ele próprio, professor, impõe ou até administra. A vida, em toda a sua severidade e rigor, é a grande mestra do desenvolvimento e da evolução da pessoa autónoma.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, p. 65Posted in Ética e Educação | Com as etiquetas : A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Posted by Luís Paulo em Abril 14, 2009
Dois pedagogos desenvolveram de modo especialmente eficaz este princípio da confrontação não ofensiva: o Dr. Thomas Gordon e o Dr. William Glasser.
A confrontação sugerida e estruturada por Thomas Gordon refere-se à situação em que o aluno, alegremente ou inconscientemente, tem um comportamento ofensivo ou perturbador dos outros. E o aluno que cheira mal, ou que faz barulho, ou que chega sempre atrasado, ou que perde os livros, ou que faz de palhaço, ou que é insolente. A arte aqui consiste em fazer ver claramente e com indignação o efeito que este comportamento tem em mim ou nos outros, sem nunca cair no insulto ou na humilhação. Vejam a diferença entre estas duas respostas ao aluno que chegou atrasado pela 5ª vez:
– Tu és um desleixado que chegas sempre atrasado! Não tens um relógio em casa?
– Luís, quando chegas atrasado, perturbas a aula, interrompes o que estou a dizer e fico irritado para o resto da aula.
A primeira resposta concentra-se no aluno, humilha-o e abate-o. Provavelmente, o aluno, por vingança, terá vontade de voltar a chegar atrasado. A segunda resposta concentra-se no efeito que a acção do aluno teve, confronta-o com esse efeito e abre-lhe a liberdade de modificar o comportamento. Uma confrontação que dá espaço à autonomia.
A confrontação sugerida e estruturada por Wi1liam Glasser tem em conta a situação em que o aluno alegremente se comporta de modo destrutivo para si próprio e o seu futuro. De novo, a arte consiste em colocar diante do aluno o seu próprio comportamento e os efeitos que poderá ter no futuro, mas sem o humilhar nem se substituir a ele. Confrontação e desafio podem ser contínuos, a propósito das mais pequenas situações, e podem realizar-se tanto individualmente como em grupo. De novo, é uma confrontação que abre o espaço à autonomia.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, p. 64Posted in Ética e Educação | Com as etiquetas : A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Posted by Luís Paulo em Abril 11, 2009
Quando se monta um puzzle utilizando um martelo para obrigar as peças a encaixar umas nas outras, vamos chegar a uma fase em que olhamos para o que já montámos e não gostamos nada do que vemos (como é óbvio).
Então apresentam-se-nos duas alternativas: continuar o trabalho (a porcaria do trabalho) ou reconstruir tudo de novo.
Se optarmos pela primeira já sabemos que o resultado vai ser algo desagradável à vista, repulsivo, e terá sido pura perda de tempo (um custo de oportunidade enorme: uma vida).
Se nos decidirmos pela segunda alternativa possível, isto é, recomeçar de novo, vamos deparar-nos com outro problema insanável: as peças que já haviam sido encaixadas (à força, à martelada) estão tão danificadas que inviabilizam a eventual bem intencionada tentativa de reconstrução.
Que fazer, face a este cenário?!
Talvez tentar a reconstrução do puzzle com peças novas! Mas isso implica deitar fora todas as outras! E para isso é necessária MUITA CORAGEM! :-)
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Posted by Luís Paulo em Abril 5, 2009
Diante de um conflito, um problema disciplinar, uma perturbação, é essencial que o professor se pergunte a si mesmo, antes de mais, de quem é o problema, ou melhor, quem sofre com o problema. A estratégia adoptada depende inteiramente da resposta dada. Assim, se quem está a sofrer é a criança, esta precisa de compreensão, não de ralhete. Mas se quem sofre é o professor, ou outros alunos, então a criança não precisa de compreensão, necessita de confrontação.
Vejamos a diferença. O João trabalha animado na sua carteira durante a aula de Matemática. De repente, frustrado e raivoso, fecha o livro com barulho, põe os braços na carteira e esconde a cabeça entre os braços. A professora tem duas alternativas: ou vai ter com ele e ralha «porque distraiu os outros», ou põe-lhe a mão no ombro e diz-lhe baixinho – «este problema é difícil não é?» .Creio que não hesitaríamos em escolher a segunda alternativa. É óbvio que quem está a sofrer é o aluno, que ele simplesmente exprimiu a sua frustração, e que o que é necessário é a compreensão do professor.
Podia afirmar sem hesitação que mais de metade dos problemas disciplinares são deste tipo. O que os alunos necessitam, não é da descompostura, nem do conselho, nem que o professor se lhes substitua. O que os alunos necessitam é da escuta do educador. Sentindo-se compreendidos e aceites, os alunos abrem-se então, enchem-se de coragem e retomam o caminho. Mas repare-se bem: compreensão não significa substituição nem desistência. O professor não se substitui o aluno, não o dirige, não lhe diz que desista, aceita-o na sua dificuldade; e é esta aceitação que dá ânimo ao aluno para autonomamente prosseguir o trabalho.
Este princípio é baseado nas teorias do psicólogo Carl Rogers, que mostrou bem o efeito terapêutico da compreensão e da escuta activa, lhe definiu bem as características e estudou os seus efeitos e aplicações. Apropriadamente, caracterizou a sua terapia como não directiva, e o seu efeito principal como promotor da autonomia do sujeito.
Infelizmente, muitos educadores aplicaram a teoria indiscriminadamente a todos os problemas, não verificando que Carl Rogers, como psicoterapeuta, tinha somente em vista os seus clientes, os quais por definição se dirigiam a ele porque sofriam ou estavam ansiosos. Nos casos em que o aluno não sofre, mas até goza com fazer sofrer os outros, quando ofende o professor, quando segue alegremente os seus impulsos, então não precisa de compreensão, precisa de confrontação, decidida, exigente, com autoridade.
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Posted by davidverde em Abril 2, 2009
Plataforma de embarque, estação metro da Boavista.
Guardo o cartão do passe e lanço o olhar na direcção da placa, “Senhor Matosinhos, 03 minutos”.
Olhar em movimento, e uma cara conhecida.
Saudações, seguida de conversa.
Chega o metro, ambos entramos, o destino era o mesmo.
Continuamos a conversa, chega o revisor e procede à leitura do passe do meu companheiro de viagem.
O revisor nota erro e pede nova leitura, agora o cartão é retirado da carteira, novo erro.
O revisor pergunta:
-Para onde o senhor deseja ir?
Surpresos, olhos para as vidraças e …as imagens céleres que corriam ao lado das janelas, não eram as habituais.
-Este é o “expresso para a Póvoa”, remata o revisor.
Engoli em seco, e os dois quase em simultâneo:
– Mas no painel dizia “Senhor de Matosinhos”!
Mal tínhamos acabado de o dizer, e uma voz feminina juntou-se a reforçar o que tínhamos visto.
O revisor indicou a próxima estação, que não era exactamente a próxima, pois este era o expresso.
Chegamos, apeamos. A donzela pegou no telemóvel e explicou a alguém o sucedido e desaparecia com um sorriso.
Na plataforma esperamos o metro que nos levaria até á estação “Senhora da Hora”.
Chegamos, e novamente apeamos, e líamos no painel “Senhor de Matosinhos, 2 minutos”.
-Óptimo já aí vem, espero que agora seja o correcto, disse.
O metro aproxima-se e líamos “expresso Póvoa”, desatamos imediatamente á gargalhada, aí estava a explicação, para o “nosso” erro.
Seguimos viagem, …falando, e antes do meu companheiro sair, adverte-me:
-Vá, agora não “apanhes” novamente o expresso para a Póvoa!?
Rimo-nos.
Só, fui abandonando o meu corpo ao pensamento, e neste aparente abandono, uma “mensagem” chegou.
Foi então, que me lembrei do texto que tinha escrito, e que queria, nesse mesmo dia, publicar.
E como num sonho, surge a donzela e o sorriso, e a palavra que me tinha dado dúvidas.
Aquela a que o meu desassossego tinha procurado na internet, momentos antes de sair do trabalho.
“Expresso” ou “espresso”?!
Quanto a mim, fiquei a saber a diferença, mas …
Agora já não sei onde termina a realidade e a ficção.
Obs.: Deve-se ler depois, de ter bebido o espresso.
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Posted by Luís Paulo em Abril 2, 2009
A criança pode estar fascinada pela matéria de ensino, pode sentir o calor da relação com o professor ou os pais, mas o caminho é sempre difícil, há muitas vezes obstáculos a vencer e depressões a ultrapassar. Para eu gostar da Matemática tenho quer saber a tabuada, para apreciar Camões tenho que consultar muitas vezes o dicionário, para tocar um instrumento tenho que praticar longas horas, para jogar futebol tenho que treinar. A esperança que o educador tem em mim já me conforta e me assegura. Mas se essa esperança não é transmitida nos momentos de depressão, pode ser que eu desista e volte atrás. É assim que crianças desatentas ou distraídas não precisam de ralhete; precisam muitas vezes da mão no ombro, ou da palmada nas costas ou da presença atenta. É assim que a boa professora vai de carteira em carteira animando aqui, corrigindo acolá, explicando ali. Não é tanto a explicação que interessa, é a presença, a lembrança, o cuidado.
Estes quatro princípios, da Fascinação, da Expectativa, do Respeito e do Encorajamento são certamente princípios baseados na autonomia do aluno. O docente não vai à frente arrastando o educando para onde este não quer ir; não se põe à cabeça, conduzindo as tropas para o campo de batalha. Pelo contrário, o docente ilumina o objectivo e põe-se detrás, apoiando o educando que se move por si e se dirige àquilo que o atrai, àquilo de que gosta. Assim, o educador vai desaparecendo à medida que a realidade vai emergindo. E os alunos, como principais reais, avançam com o entusiasmo e a dignidade de quem se determinou e escolheu.
Entremos agora mais profundamente na questão das dificuldades e dos obstáculos. Nem todas as crianças nos aparecem na escola contentes e bem alimentadas, bem dormidas e asseadas. Grande parte das nossas crianças chegam-nos já cheias de medo ou de solidão, ou de fome ou de dor. Temos crianças que vêm de ambientes destrutivos, famílias alcoólicas ou de pais abusivos. Em casa, às vezes só há barulho e ansiedade. Raras vezes se encontram livros, quase nunca música, muitas vezes ignorância e raiva por uma memória rejeitante da escola. Ou então, são crianças mimadas e insolentes, sem hábitos de trabalho nem disciplina interior, acostumadas a ter todos os desejos satisfeitos e os seus caprichos atendidos. São estes os alunos que enchem as nossas classes e que chegam para muitas vezes porem os professores à prova ou apenas para serem ocupados enquanto os pais trabalham.
Quando as crianças não aprendem nem deixam aprender, quando causam problemas disciplinares, quando resistem a todos os esforços, que fazer?
Os princípios seguintes sugerem estratégias de relacionamento, condizentes com os nossos pressupostos básicos de educação para a autonomia.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 61-62
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Posted by davidverde em Março 31, 2009
O RUÍDO ERA O FUNDO. ENTRE PALAVRAS, AQUI E ALI, O CAFÉ CHEGOU. OLHEI-O, O CHEIRO ERA INTENSO E NA ESPUMA CREMOSA HAVIA UMA AVE DESENHADA.
NINGUÉM A DESENHOU, PENSO EU, MAS O MEU OLHAR ENCONTROU-A.
AO LADO, NA ESTAMPA DO AÇUCAR, NUM VERMELHO FERRARI, UM SORRISO ENORME DE UMA DONZELA DESCONHECIDA.
PEGUEI NO SAQUINHO DO AÇUCAR E DE UM GOLPE, CORTEI A CABEÇA À DONZELA.
MAS DESCANSEM, ELA CONTINUOU A SORRIR E DIZIA:
– EU SEI TIRAR O MELHOR ESPRESSO DO MUNDO.
ENQUANTO ISSO O CAFÉ ARREFECIA E O TELEMÓVEL TOCAVA, ANUNCIAVA MENSAGEM.
APRESSEI-ME A DEITAR O AÇUCAR NO CAFÉ, ENQUANTO A MÃO ESQUERDA MEXIA-O E A DIREITA PROCURAVA A MENSAGEM.
BEBIDA A MENSAGEM E LIDO O CAFÉ, QUERO DIZER LIDA A MENSAGEM E BEBIDO O CAFÉ… JÁ NÃO SEI, CHEGA NOVA MENSAGEM. AGORA SEGURAVA O TELEMÓVEL COM AS DUAS MÃOS E ESCREVIA EM RESPOSTA:
– COZIDO À PORTUGUESA.
A DONZELA, AGORA ESPREGUIÇADA E DIVIDIDA EM DUAS, NA MESA, CONTINUAVA A SORRIR.
CAUSEI ADMIRAÇÃO DO OUTRO LADO DO TELEMÓVEL, POIS SÓ ME RESPONDEU: AH!
DEPOIS DE UM BREVE, QUE PARECEU-ME LONGO MOMENTO, NOVA MENSAGEM E NOVA RESPOSTA, AGORA O TELEMÓVEL TINHA-SE CALADO, FOI QUANDO O MEU OLHAR RASGADO NOTOU A AUSENCIA DA AVE QUE TINHA ESTADO NO MEU CAFÉ.
PEDI AO “GARÇON” A CONTA E FUI, SEM QUE ANTES O MEU OLHAR NÃO SENTISSE O SORRISO DA DONZELA.
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Posted by Luís Paulo em Março 31, 2009
A expectativa não deve ser indiscriminada e automática. Aquilo que eu espero dos meus alunos tem de ser pautado pelo respeito pelas suas características, pelo seu estádio de desenvolvimento, pelos seus interesses emergentes. A expectativa salutar é uma relação subtil que se baseia num vaivém de acção e reacção, de respeito pelo que o aluno é e de esperança pelo que venha a ser. Nada do que é humano é automático.
O Pedro sempre gostou muito de História. Tudo começou, quando, um dia, tinha talvez uns 12 anos, estudando com um livro na mão, o seu pai reparou e disse: «Olha, o Pedro gosta de História!». No dia seguinte, comprou-lhe um livro de Elaine Sanceau sobre a viagem de Fernão de Magalhães à volta da Terra. E daí em diante, ele que costumava ter dez e onzes a História, passou a ter dezasseis e dezoitos. Foi a expectativa que estimulou o interesse. Mas a expectativa já se exerce sobre um elemento da realidade: ele tinha um livro nas mãos. Foi portanto uma expectativa que se baseou no respeito. Subtilezas de que só os humanos são capazes.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, p. 61
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Posted by davidverde em Março 30, 2009
Prestes a acabar a refeição, já satisfeito e grato pela comida e pelo vinho, entram na sala uma Primavera de gente, Rosas e Margaridas, alegres e pelo que vi trabalhadoras.
Pareciam andorinhas, unidas, alegres e vivas.
Preparavam-se para escolher mesa, ao todo 15.
Simples, já nas suas trinta primaveras… ou mais, mas deslumbrantes, pelos sorrisos, simplicidade e pela beleza que Deus soube dar á mulher.
Ganhei o dia, pois foi o sorriso de Deus, a entrar na sala.
Não se acanharam no pedido de bebidas, e na linguagem deliciosa dos palavrões.
Estas sim, comentei eu, de mim para mim, são mulheres. Sentia-lhes a força, a dinâmica e o querer forte de vida nos seus diálogos.
O sol batia-me de mansinho, por cima do ombro, e o empregado dizia-me:
– O senhor deseja mais alguma coisa? Sobremesa?
Eu como acordando:
– Um café por favor.
Tomei o café. O som da Primavera e o colorido das flores continuaram na sala.
Como eu gostei e amei aquela pintura de seres.
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Posted by Luís Paulo em Março 29, 2009
É claro que não basta apresentar bem a matéria para que ela atraia e o aluno se ponha a caminho. A televisão e o cinema podem fascinar sem atrair. Nunca poderemos substituir os docentes pelos meios audiovisuais, porque estes não esperam nada dos alunos, não têm esperança neles nem expectativa do seu movimento.
Modernas investigações mostram bem a importância fundamental desta expectativa. Todos conhecemos os estudos sobre o efeito de Pigmaleão. Se eu estou convencido que o aluno pode, ele poderá; se eu espero que ele aprenda, ele aprenderá; se eu confio em que ele estude, ele estudará.
Esta expectativa transmite-se de mil maneiras: é o olhar de conivência, é o sorriso de entendimento, é a chamada ao quadro repetida. E, ao contrário, a ausência de esperança também se transmite. Quando nunca me lembro do nome do aluno, quando nunca o chamo, ou até quando lhe digo logo à partida «que o melhor é nem tentares porque tu não és para isto».
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 60-61
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Posted by Luís Paulo em Março 26, 2009
Mas, infelizmente, não temos que escolher entre o autoritarismo e a permissividade. Os grandes educadores sempre encontraram uma terceira via de relacionamento com os educandos, que promove directamente o seu crescimento, sem passar pela guerra ou pelo abandono, pela imposição ou submissão. Relacionamento que promove a autonomia e desemboca na colaboração e no amor. É a terceira via que eu julgo deva ser a grande corrente da reforma educativa, aquilo que define propriamente a pedra angular da reforma.
Escolhi 10 princípios para caracterizar a relação pedagógica baseada na autonomia. Princípios que se entre cruzam e se reforçam mutuamente e que, no fundo sugerem estratégias próprias de relacionamento.
Perguntei um dia a um grupo de alunos o que era um bom professor. Depois de algumas brincadeiras, uma aluna geralmente reservada avançou: «o bom professor é o que nos faz gostar da matéria». O silêncio que se seguiu mostrou bem a adesão de todos à definição. O bom professor não é, portanto, aquele que provoca admiração pelo seu saber -esse pode até fazer-me desanimar; não é aquele que entretém -com esse não se aprende; nem é aquele que obriga a estudar -esse não educa. O bom professor é aquele que apresenta de tal modo a matéria que eu me sinto fascinado por ela e mobilizo as minhas energias e recursos para a conhecer e gozar. E está-se a ver que a educação pelo fascínio se relaciona intrinsecamente com a autonomia. Eu levanto-me e estudo, não porque me mandam, não porque sou obrigado, mas porque o objecto me atrai, porque quero, porque gosto.
No fundo o que é a pedagogia e o que é a didáctica, senão a ciência, ou a arte, de saber apresentar as matérias de tal modo adaptadas à idade e estádio de desenvolvimento da criança, que ela se sinta atraída e mobilizada? Digo arte, não tanto pelo que ensinar bem implica de jeito e habilidade, mas pelo que implica de beleza e de estética. Ensinar bem Matemática é mostrar a beleza da Matemática; ensinar bem Português é revelar o encanto do bom texto e da boa expressão; ensinar bem Ciências é abrir a porta para o gozo da natureza.
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Posted by davidverde em Março 24, 2009
Ao ler o artigo sobre “Ética e Educação…”, como por magia (género Luís de Matos) apareceu-me na mão este texto, que também por considerar pedagógico, partilho e transcrevo:
(…)
Na Alemanha, se eu quiser deixar uma caravana numa praia do Mar do Norte, sou presa. Portugal é um país amável para com os estranhos e os estrangeiros. Com os portugueses, a coisa fia mais fino. Num restaurante, entra-se às cinco da tarde. (…) Não se vê um empregado num raio de quilómetros. Por fim, pouco trepidante, ele aparece. Carrancudo, afirma: a cozinha tá fechada, os empregados estão a almoçar. Eu, humilde: então o restaurante está fechado, não servem? Ele: tá aberto mas a cozinha tá fechada. Pode ser que se arranje qualquer coisa. Eu: Pode ser qualquer coisa que não precise de ser cozinhada? Marisco? Percebes? Uma tosta? Ele: aqui é tudo cozinhado porque sai tudo da cozinha, e a cozinha tá fechada, tem que se abrir. Eu: uma tosta? Ele: qualquer coisa, eu trago-lhe a lista, se tem que se abrir a cozinha pode ser qualquer coisa, é tudo igual. Eu: então a cozinha vai abrir? Ele: vou ver o que se arranja. Eu, sentindo que estou a ser vítima de um tratamento excepcional: o que for mais rápido, ou estiver feito. Ele: aqui é tudo feito na hora. (…)
Eis o Verão algarvio e a lusitana indústria de serviços em todo o seu esplendor. A cena repete-se Algarve fora. Excepto quando o empregado é um imigrante brasileiro, aí a cortesia e a suavidade convidam o cliente a ficar. Donde saiu a gente bruta que trata os estrangeiros de espinha curvada, e berra aos portugueses, não temos, não posso, não quero, não pode ser? E sabem como aquilo acabou? Veio um outro e disse é a senhora da televisão. A partir daí, da televisão, tive tudo na mesa, mais a gentileza. Percebi. Se é para o senhor Dom Fradique, é o que o senhor Dom Fradique quiser. Quase dei uma libra àquele malandro.
Clara Ferreira Alves
ÚNICA, EXPRESSO de 29 de Julho de 2006
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Posted by Luís Paulo em Março 24, 2009
A permissividade tem sido um dos erros fatais de muitos pais e educadores. Convencidos dos males do autoritarismo, desistiram de educar e perderam a autoridade. Com medo que ofender a dignidade dos filhos ou dos alunos, deixaram de exigir, cederam a todos os seus caprichos, permitiram muitas vezes que os educandos os humilhassem e abusassem. Não querendo submetê-los, deixaram-se submeter.
O resultado desta permissividade e desta gratificação constante não foi obviamente o aparecimento de jovens mais autónomos. Foi a proliferação de filhos mimados, de alunos psicopatas, de jovens que nunca foram confrontados com a autêntica autonomia dos pais ou professores e que, portanto, ainda julgam que o mundo gira à volta deles e que os outros são apenas instrumentos ao seu serviço. Tão dependentes estão dos outros para tudo que não podem sobreviver sem eles. Mas como os outros não contam, tão pouco podem ser amados. E como os outros não existem, também eles se sentem sem consistência. É a inevitável solidão do mimado que devora os outros sem nunca se satisfazer, porque, no fundo, nunca estabelece contacto nem relação.
Numa dessas cartas ao editor, tipo consultório psicológico, dum jornal diário, queixava-se uma senhora de idade do abandono a que se via votada por todos os seus filhos. Dizia: «fiz tudo por eles, fui a cozinheira de todas as refeições, a lavadeira de toda a roupa, a criada de toda a limpeza, Agora quase nunca me visitam», E acrescentava, deprimida: «e o que mais me custa é ver que a minha vizinha que nunca fez tanto pelos filhos, que trabalhava fora de casa e lhes mandava fazer recados à rua por tudo e por nada e que às vezes até lhes batia, essa recebe a visita dos filhos todos os dias e tratam-na como uma rainha».
Os filhos da senhora de idade não visitavam a mãe, provavelmente porque não se lembravam dela, porque, no fundo, ela não existia no seu campo de consciência. A mãe não se definiu autonomamente e, portanto, os filhos nunca se autonomizaram dela o suficiente para a reconhecerem como pessoa. Os filhos da vizinha separaram-se da mãe e portanto puderam relacionar-se com ela. Entre o autoritarismo que abafa e a permissividade que isola e esvazia, talvez prefira o primeiro. Talvez possa conduzir à rebeldia e, com a rebeldia, à existência.
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Posted by Luís Paulo em Março 22, 2009
O autoritarismo, todos o sabemos, mata, em princípio, a autonomia. O que o autoritário pretende, com efeito, não é que o outro seja autónomo, mas obediente; não que pense por si, mas que acredite; não que critique, mas que absorva; não que aja segundo a sua consciência, mas que se conforme à norma. O autoritarismo cria escravos, não homens autónomos. Pode criar ordem, mas nunca orgânica. Todos conhecemos o professor autoritário: não admite perguntas, não aceita sugestões, recusa o diálogo. Dá poucas razões para aquilo que ensina e tanto as razões como as explicações são para ser aceites sem pergunta nem desafio. Obviamente, a criança educada pelo professor autoritário tem poucas probabilidades de ser autónoma.
Os métodos mais utilizados pelo professor autoritário para subjugar o aluno são o castigo (sobretudo o castigo corporal) e a humilhação.
Entramos aqui numa área muito delicada e que toca em muitas feridas da nossa consciência e muitas receitas da nossa tradição. Comecemos pelo bater. Com efeito, o bater está relacionado não só com o autoritarismo abusivo dos nossos piores carrascos mas está também relacionado, muitas vezes, com o amor e preocupação dos nossos pais e dos nossos melhores professores. Encontramos continuamente adultos que exprimem agradecimento ao professor que lhes deu uma bofetada a tempo, ou que sentem reconhecidos pelas tareias que periodicamente levavam dos pais quando descarrilavam.
Mas distingamos bem os conceitos. Há coisas muito piores que o bater. Todas as crianças preferem a tarei ao abandono e à humilhação. Quando eu agradeço àquele professor o ter-me dado a bofetada a tempo, o que realmente lhe estou a agradecer não é a bofetada mas o ter-se preocupado comigo. Quando me lembro das tareias dos meus pais, não é que eu tenha saudade da pancadaria, mas dou graças por não ter sido abandonado. O que se pode dizer então é« que pena essa preocupação e esse amor não tenham sido expressos de outro modo!». Talvez então, não só endireitasse, mas também aprendesse.
Assim, apesar que se poder admitir que o castigo corporal nem sempre esteja ligado ao autoritarismo, o que é facto é que tal método de educar, de si, humilha e amachuca. De si, não promove a autonomia e a confiança própria. É degradante e viola a dignidade humana da criança. E é por isso que nenhum de nós admite actualmente como método de disciplina entre adultos, como se admitia na Idade Média.
Mas há métodos de disciplina mais degradantes ainda que o castigo corporal. A humilhação directa, o sarcasmo, o ridicularizar, o ignorar são bem mais prejudiciais ao desenvolvimento da autonomia que o bater. Infelizmente tais métodos são utilizados por muitos pais e professores, às vezes com a desculpa consciente de que «é para eles não levantarem muito a cabeça», para não se tornarem “orgulhosos”, para serem obedientes. No fundo para que se submetam e se conformem, não para que se desenvolvam e se autonomizem.
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Posted by Luís Paulo em Março 19, 2009
Perguntamo-nos todos naturalmente o que é que acontece no termo do desenvolvimento da autonomia. Quem é essa pessoa autónoma? Será um individualista? Será um egoísta? Pensará nos outros? Reconhecerá os outros? Amará?
Investigações modernas demonstram claramente, primeiro, que não há desenvolvimento da autonomia sem ser no contexto de uma relação de intimidade e, segundo, que a autonomia é provocada pela consciência da autonomia dos outros e desemboca sucessivamente na colaboração, na cooperação e no amor.
Assim, o bebé pensa ao princípio que a mãe faz parte dele. Não reconhece a autonomia da mãe, nem com certeza é consciente de si próprio. É só à medida que a mãe mostra a sua autonomia, que deixa às vezes de estar presente, que se afasta, que se zanga, que exprime o seu desagrado, que o bebé a vai reconhecendo como diferente e, nessa mesma medida, que se vai reconhecendo como autónomo. Daqui já se pode ver, que mães que se tornam dependentes dos filhos, que se submetem a todos os seus desejos e caprichos, que nunca mostram os seus interesses e direitos, mães que não são autónomas, são mães que nunca provocam a autonomia dos filhos. Os filhos continuam a pensar que os pais são parte deles, que todo o mundo gira à sua volta, e portanto não podem passar sem os pais ou quem os substitua ao seu serviço. Estes filhos não são autónomos, dependem intrinsecamente do trabalho dos outros e da sujeição a si de quantos os rodeiam. Usam, utilizam e manipulam os outros para existirem. Encontram-se inteiramente dependentes. O egoísmo é a outra face da dependência.
Mas a pessoa que se foi habituando a ver o outro como autónomo, esse foi criando as condições para se relacionar. Ao perceber que os pais têm interesses próprios, começam a olhar para eles como diferentes, como pessoas. Essa diferença do outro fá-los crescer na consciência de si próprios. No termo do processo, temos uma pessoa consciente de si e do seu valor que reconhece o outro como outro e que, portanto, numa dinâmica infalível e dramática, é levado a dar-se, a contribuir, a amar, a dedicar-se.
Destes pressupostos filosófico-psicológicos já podemos deduzir o que a relação pedagógica não pode ser, se quisermos promover a autonomia das nossas crianças. Não pode ser, em primeiro lugar, uma relação baseada no autoritarismo e na humilhação. Tão pouco se pode fundar na permissividade ou na gratificação permanente. A relação pedagógica tem, finalmente, que se assumir como protectora de desenvolvimento.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 56-57Posted in Ética e Educação | Com as etiquetas : A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Posted by davidverde em Março 18, 2009
A Primavera é uma estação bela,
as várias matizes de cor
e as flores que encantam as ruas por onde passamos,
oferecerem-nos os seus perfumes
Aqui e ali, uma se destaca
e a nossa curvatura vertebral,
é a gratidão instantânea a quem nos oferece,
mesmo num curto espaço de tempo,
todo o tempo do mundo
Não sou indiferente ao perfume e à cor
e ao sorriso do sol
Mesmo que eu não responda
o sol sabe que li o seu sorriso
E me encantei!
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Posted by davidverde em Março 17, 2009
As sombras vão correndo entre ruas e caminhos
umas são pequeninas, outras gigantes como árvores,
como prédios
As sombras vivem do sol
ou de outra luz
É giro ver o rodopio
o aparece e esconde,
como se fossem crianças a brincar
Por vezes deixam-se estar
estendidas na relva,
no asfalto…
e indiferentes ao perigo
vagueiam
alimentando-se dos sonhos
que os seres humanos na sua pressa deixam tombar
Sem um queixume, vão dormir
ao colo da mãe
no outro lado do Mundo
Por vezes não damos por elas,
como no Inverno,
mas no Verão é vê-las em todo o lado
Sombra é o lado oposto do teu eu,
é a vagabunda melancólica
que por contraposição dá valor
ao teu ser mais visível
Engana-se quem pensa efectivamente controlar a sua sombra,
não há sombra que resista e aguente a jaula do racional
“Sem sombra de dúvida”, é frase feita
porque a dúvida existe sempre
E a sombra…
essa gosta de andar de bicicleta
e não há pregos ou fita-cola que a prendam.
A não ser um pequeno furo na roda da bicicleta.
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Posted by Luís Paulo em Março 17, 2009
Ao definir a relação pedagógica como uma relação baseada na autonomia, parto evidentemente de um conceito próprio e específico de autonomia.
Autonomia diz mais do que simplesmente liberdade. Liberdade é um conceito negativo. É livre aquele que não é escravizado ou dependente. É-se livre de alguma coisa. É-se livre de leis, ou de regras ou de imposições ou de cadeias. O conceito de liberdade aponta para algo de que se é livre, ou para algo para o qual se é livre. Mas em si não tem consistência própria. O conceito de liberdade nem sequer é um conceito que se aplique exclusivamente aos humanos. É assim que dizemos que há animais em liberdade, que se encontram arbustos a crescer livremente, que necessitamos até de ar livre.
Autonomia, ao contrário, é um conceito positivo. Significa que a pessoa, ou a instituição, tem uma lei, mas que essa lei é própria (autónomos). Evidentemente que implica liberdade, liberdade, no entanto, não em relação à lei, mas simplesmente em relação à lei dos outros. O escravo submete-se à lei dos outros, o libertino não se rege por lei alguma (assim o julga), a pessoa autónoma rege-se por leis, mas leis próprias, escolhidas, interiorizadas.
Diante de um acontecimento, não se pergunta apenas o que é que os outros pensam, mas o que é que ele acha; confrontado com um dilema moral não procura fazer o que os outros fazem, mas age de acordo com a sua consciência, com a sua lei interior.
Fonte: CUNHA, Pedro D’Orey da – Ética e Educação, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, pp. 55-56Posted in Ética e Educação | Com as etiquetas : A Relação Pedagógica - Artigo Completo, Ética e Educação, Educação, L.P., Manuel Braga da Cruz, Pedro D'Orey da Cunha, Reforma Educativa | Leave a Comment »
Posted by Luís Paulo em Março 15, 2009
A Relação Pedagógica
INTRODUÇÃO
Pais, professores e jornalistas perguntam com frequência em que é que consiste a Reforma Educativa. Há muitos modos de responder a esta pergunta, pois muitos são os contextos na qual ela se situa e muitos são os vectores da reforma que se podem fazer realçar. Mas, se quisermos encontrar o ponto crucial do qual todos os vectores dependem e o horizonte subjacente a todos os contextos, julgo que poderíamos responder com a seguinte afirmação:
A reforma educativa é a mudança do sistema educativo necessária para levar a cabo um novo desenvolvimento pessoal e social do jovem Português, generalizando uma relação pedagógica nova, condizente com essa finalidade.
Pretende esta afirmação, ainda em estado excessivamente formal e abstracto, apontar para uma distinção entre o fim da reforma educativa e o meio a alcançar. O fim da reforma é o desenvolvimento pessoal e social do aluno. Esta afirmação é já de si uma opção de fundo. Assim, estabelece-se a priori que o fim da reforma não é uma qualquer conveniência da administração, como se fosse, por exemplo, a informatização da escola, ou a maior eficiência ou a economia de meios. O fim da reforma tão pouco se situa apenas na dignificação dos professores, na participação dos pais ou no envolvimento com o meio. Quando se diz que o fim da reforma é o desenvolvimento pessoal e social do aluno quer afirmar-se, à partida, que a intencionalidade da mesma reforma, a meta, o alvo, a ênfase, o objecto que se quer atingir é o utilizador do sistema, não o seu produtor. A reforma educativa está ao serviço do aluno antes de mais, sobretudo e por excelência.
Mas podemos ir mais além da nossa definição. Se queremos a reforma, é porque sentimos que algo está mal.
Não é tanto que queiramos reformar o aluno. O que a sociedade portuguesa pressente desde há muito, aquilo de que todos os lados se sugere, quando não se exige, é a reforma do sistema, para que um novo tipo de português possa emergir. O sistema educativo necessita de se reformar para poder facilitar a emergência de jovens desenvolvidos pessoal e socialmente. Com efeito, suspeitamos, desde há muito, que os jovens portugueses que estão a sair do sistema educativo, aqueles de quem nos orgulhamos e que nos enchem de esperança são mais sobreviventes do que produtos do sistema; desenvolveram-se apesar do sistema e não por causa do sistema.
Mas não nos encontramos apenas no estágio do descontentamento. Creio, pelo contrário, que entre nós os adultos desta geração, aqueles que já sentimos a responsabilidade de preparar a geração que nos vai suceder, creio que entre nós se foi generalizando um largo consenso sobre o tipo de português novo por que ansiamos. Temos uma ideia concreta sobre qual o perfil pessoal e social do jovem que queremos promover e estimular. Recomendo sobre este ponto a leitura do pequeno livro publicado pelo Ministério precisamente intitulado «O Perfil Desejável do Diplomado do Ensino Secundário».
Divide-se este perfil cultural em três aspectos, interligados, é certo, na realidade, mas distinguíveis no pensamento para melhor clareza e compreensão; o perfil cognitivo-cultural, o perfil sócio-moral e o perfil físico-motor. No entanto, todos estes elementos se poderiam sintetizar em dois grandes vectores, os quais simbolizam também os grandes princípios da Lei de Bases do Sistema Educativo; o novo jovem português, aquele que a emergência do qual queremos reformar o sistema educativo, é um jovem autónomo cognitiva e afectivamente – desenvolvimento pessoal; e é um jovem respeitador da autonomia do outro; e portanto, preparado para o amor, o diálogo e a cooperação -desenvolvimento pessoal e social baseado na autonomia.
Mas a definição da reforma que atrás avancei tinha uma segunda parte. Não só apontava para a finalidade da reforma, o desenvolvimento pessoal e social do aluno, mas referia o meio, uma nova relação pedagógica. De modo mais simples, uma relação pedagógica baseada na autonomia. Como se pode melhor definir esta relação pedagógica, quais os seus pressupostos, quais os seus princípios, quais as aplicações, tais são os pontos que me proponho desenvolver.
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Posted by Luís Paulo em Março 14, 2009
Com prefácio do Prof. Manuel Braga da Cruz, o livro Ética e Educação foi publicado já após a morte do autor dos textos, Pedro D’Orey da Cunha, quando ainda preparava a sua edição.
A minha ideia inicial era publicar apenas dois ou três parágrafos deste artigo mas, como espaço é coisa que aqui não falta, acabei por decidir-me pela publicação integral do artigo.
Algumas passagens poderão ser algo estranhas aos meus jovens colegas – nomeadamente no título “Autonomia e Autoritarismo” – já que não conheceram a realidade social, em geral, e do ensino, em particular, à qual o autor se reporta: a sua infância, juventude e início de carreira (esta contextualização é sempre necessária para evitar juízos precipitados).
Como o artigo é muito extenso vou publicá-lo em fascículos. A partir de amanhã, dia 15 de Março, será publicado um título do artigo todas as terças e quintas-feiras e aos domingos, com excepção da semana das férias da Páscoa. Portanto, na quarta-feira dia 8 de Abril e no domingo dia 12 de Abril não será publicado qualquer título. Isto não significa que não sejam publicados outros artigos dos autores do blogue.
Cada Post do blogue terá uma etiqueta comum (A Relação Pedagógica – Artigo Completo) para que seja possível, a qualquer momento, visualizar e ler o artigo completo (pelo menos o publicado até àquela data), sem interrupções. Será útil para quem não acompanhe a publicação desde o primeiro dia ou falhe a leitura de alguma publicação.
Pedro D’Orey da Cunha, licenciado em Filosofia (Braga, 1962) e em Teologia (Granada, 1968), obteve o grau de Mestre em “Counseling Psychology” no Boston College em 1973 e doutorou-se em Ciências de Educação pela Boston University, em 1983.Foi chefe de Gabinete do Ministro da Educação Roberto Carneiro e Secretário de Estado da Reforma Educativa entre 19787 1 1991.Morreu em 1995, tendo deixado vários escritos sobre a deontologia da profissão docente, sobre a educação ética na família e na escola, e sobre a fronteira entre ética e a fé, que se propunha reunir em livro. (1)
(1) Esse trabalho inacabado foi concretizado pelo Prof. Manuel Braga da Cruz, a pedido do autor, tendo sido publicado o livro que já referi, Ética e Educação, pela Universidade Católica Editora, Lisboa, 1996, com o apoio do Ministério da Educação.
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Posted by Luís Paulo em Março 8, 2009
O sol já nasceu e aponta agora na vertical,
a minha sombra já me não deixa,
e, agora que falas disso,
apercebo-me que já começa a espreitar e a querer ser maior do que eu.
Já começa a segredar-me as histórias que viveu e as que deseja ainda alcançar, mais dia, menos dia, estou mesmo a ver,
na sua vadiagem vai correr mais célere do que eu e segredar-me: “tás na quarta idade”.
Aí eu vou corar
e só para disfarçar o embaraço,
vou vestir meus calções,
levar minha toalha
e mergulhar no mar.
Tenho certeza que quando regressar,
regresso puto novo
e com aquele sotaque do porto
dizendo: “ belho, carago?! Eu?!”
Publicado pelo meu amigo Paiva (Thor) num comentário ao Post: 4ª IDADE: ESPERANÇA OU PESADELO?
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Posted by Garota de Ipanema em Março 7, 2009
Escrevi este texto numa das minhas aulas, ao som de uma melodia agradável, tocada apenas, e no chão sentada.
“É ao ouvir esta música, e com as lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios, eu sei que sou um pouco estranha, que comento esta frase com um exemplo concreto: «A Liberdade é o espaço que a Felicidade precisa!».
Esta frase para mim tem um grande significado e porque eu, como todos sabem, sou música, e no início, quando ainda todos éramos de tenra idade, foi um factor de troça: sentia-me como aprisionada, como com medo de expressar o significado que a música começava a ter para mim. Deste modo, como podem imaginar, não era feliz. Chorei muitas lágrimas, mas não como as que me correm agora pela cara de felicidade por me poder libertar, eram lágrimas cheias de amargura, como se pautas de uma sinfonia inteira me corressem pela cara, de tal modo que nunca mais paravam!
Mas, talvez sim, talvez não, não sei, foram essas tão longas pautas que me envolveram, formando um escudo envolto de mim e me deram uma injecção de força para continuar a lutar e nunca deixar de afirmar aquilo que sou e que gosto! Que me deu força para não me importar com o que os outros pensam ou dizem sobre isso; para estar feliz na mesma quando lhes conto algo que para mim é extremamente emocionante, nomeadamente sobre música, e que para eles não tem significado algum e se começam a rir de mim! Sabem o que faço? Rio-me com eles também, porque estou Livre e, assim, estou Feliz!
Sou livre para assumir o que realmente gosto e assim sou feliz! Não continuo com lágrimas nos olhos. Mas também não continuo com aquele sorriso: tenho um bem maior! Porque fui livre de escrever, e, mesmo que se riam destas palavras ou trocem delas, eu vou continuar a sorrir! A ser Feliz!
Lá vêm as lágrimas. Destas não consegui, ainda, libertar-me!”
Garota de Ipanema.
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Posted by Luís Paulo em Março 7, 2009
Quando se olha o mar e se escuta o movimento do seu coração nas areias da praia, damos conta que o mar diz sim e diz não.
Da ilha de Samoa dá á costa da Europa um documento simples que alimenta e confunde o espírito europeu.
O mar diz sim e diz não!Homem selvagem e inculto serve em fina porcelana uma sopa cultural. Ficamos confusos por nos dizerem que o rei vai nu.
O mar diz sim e diz não!Já levou o documento e o não ficou na cultura do europeu.
O mar diz sim e diz não!Talvez a leitura destas culturas ditas selvagens, ajude a semear a esperança.
O mar diz sim e diz não!O homem não teceu a rede da vida, ele é só um dos seus fios.
Mas Paulo, Sou um selvagem e nada sei.O mar diz que sim e diz que não!
Confuso?!
O sol tem cambiantes de cor todos os dias…
Publicado pelo meu amigo Paiva (Thor) num comentário ao Post: O Papalagui… ou Tantas «coisas» para quê?!…
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Posted by davidverde em Março 6, 2009

MICHEL GIACOMETTI, nascido a 08 de Janeiro de 1929, em Ajaccio na Córsega, andarilho em busca de vida, nas vozes e tradições dos sons do nosso Portugal profundo e esquecido.
Ao ver as imagens de arquivo da nossa RTP, fico emocionado, profundamente emocionado, ao aperceber-me que um homem alto de microfone e gravador de fita a tiracolo, caminha junto do lavrador, que entretanto risca a terra com o seu arado, usando-o como ferramenta de trabalho, é certo, mas também como se fosse instrumento musical de acompanhamento da voz, das canções, das melodias.
Giacometti, partilha a poeira e o suor, do lavrador, enquanto regista esses cantares e melodias que se teriam perdido nas sombras do tempo, se não estivesse ali.
O etnomusicólogo Giacometti, está sepultado em Peroguarda, Ferreira do Alentejo, não tendo a sua sepultura nenhuma alusão especial a quem foi Michel Giacometti.
Como homenagem e gratidão, agora sou eu que uso o gravador de fita, simbolicamente, é claro, e neste pequeno testemunho contribuir para não deixar cair no esquecimento, a poesia, o amor às coisas e às gentes dado por um estrangeiro aos nossos egrégios avós.
Obrigado Giacometti
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Posted by davidverde em Março 5, 2009
Numa visita mais demorada
dos meus olhos
Observo
Dou conta que existe um bosque escondido
Para não dizer floresta
Nas palavras que habitam o blogue
Quando o pintor lança o pincel
Na tela crua
Nunca sabe ao certo o resultado
Dessa aventura
Assim também
Penso que nos textos expostos
E nesse bosque
Existem de facto seres invisíveis
Que se encarregam de alterar
Ou acrescentar em cada leitura
Uma nuance ou perspectiva diferente
Por isso talvez o meu assombro
Ao encontrar aqui e ali um rosto
Que vem comigo
Nas palavras e ornamenta o meu caminho
É a energia gráfica do pensamento
Ou eu a precisar de óculos!
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Posted by Luís Paulo em Março 5, 2009
Trouxeram-me um berço e nele dormia comigo a amiga liberdade. Sempre que tinha sonhos maus, pesadelos, olhava à minha volta e abraçava a liberdade. Hoje sou homem feito, dito adulto, e que falta me faz a minha amiga liberdade.
Não sei onde ela anda, penso que quando nos tornamos “adultos” ela parte para outro lado porque nos tornamos “chatos”. De quando em vez, gosto de ser infantil, desprezar as regras dos adultos e abraçar as palavras que querem sair comigo à rua. Sinto o abraço da liberdade quando me perco nas sombras da cidade e cumprimento o sol nos lábios da minha mulher. Ir à deriva e sentir o perfume das flores e carregar o meu coração com histórias e gentes simples.
Liberdade é um poema do coração, é um desejo racional de ter asas para voar…
PS: Gostava sempre de ser infantil, assim a minha amiga liberdade nunca me deixava e eu era mais feliz.
Um abraço de Thor
Publicado pelo meu amigo Paiva (Thor) num comentário ao Post: LIBERDADE!… com RESPONSABILIDADE!…
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Posted by Luís Paulo em Março 4, 2009
Numa apologia totalmente pró-consumerista e anti-consumista a nossa Amiga Pepita deixa-nos o seu magnífico testemunho a propósito do discuro o chefe indígena Tuiavii, chefe de tribo de Tiavéa, da ilha Samoa, na Polinésia.
Caro Luís,
Entendo perfeitamente o que quer dizer… A minha filha mais velha entra este ano na escola e, no decorrer das compras de material escolar optei por não levar a minha filha comigo, (tal como também não o faço no natal), por achar que é uma “tortura” desnecessária. Na realidade, o que me pareceu ver nas lojas onde me dirigi foi um monte de ‘alarves’ de diversos tamanhos capaz de quase tudo pela última mochila ou pasta de determinada marca ( e muitos deles instigados pelos pais ou mães que os acompanhavam). Costumo dizer, (e cada vez penso mais que assim é), há duas coisas que se têm vindo a perder nos últimos anos, a educação e o bom senso…
A realidade é que a própria sociedade incute nas crianças que o seu valor se determina pelas roupas que vestem ou pelos carros que os pais conduzem… Tento combater esses preconceitos com todas as forças, mas confesso que nem sempre é fácil. Agrada-me ver que a minha filha (pelo menos agora) mantém-se imune a todas essas influências e continua a ser a minha influência a regê-la mais do que as restantes, mas o meu receio é que isso se venha a alterar.
Actualmente tento limpar a minha vida (e casa também) de todas as coisas supérfluas que adquiri ao longo dos anos. Até mesmo eu sofria desse mal, dessa necessidade inculcada de ter «coisas», até há algum tempo atrás. Mas num Natal passado, tudo se alterou! O momento de viragem foi quando, com a família toda junta, a minha filha só estava interessada em prendas, presentes, embrulhos… E o espírito de família? – Pensei eu na altura, quereria eu que a minha filha crescesse para ser uma daquelas meninas snobes e detestáveis que, só por terem alguns bens materiais inacessíveis a tantos outros pensam que são por isso mesmo melhores que os mesmos? Não, não estava nos meus planos deixar que isso acontecesse, então, comecei por purgar primeiro essas necessidades “falsas” do meu próprio organismo e actualmente não posso dizer que a minha filha seja completamente desprendida de bens materiais (afinal é de uma criança que estamos a falar), mas gosto que ela se preocupe com a irmã, com os pais, com os avós e até com os animaizinhos da casa. E muitas vezes, para ela, basta uma flor para fazer grandes brincadeiras com a irmã… E foi isso que eu tentei resgatar… E largar as «coisas» que dão uma falsa sensação de riqueza, porque riqueza mesmo… É amar…
Aproveito para lhe dar os parabéns pela remodelação do blogue e gostaria de pedir à pequena Liliana para voltar a escrever (se for de sua vontade, claro) porque nos faz falta a sua participação e seria uma pena desperdiçar o seu talento…
Obrigada.
Publicada por Pepita num comentário ao Post: O Papalagui… ou Tantas «coisas» para quê?!…
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Posted by Luís Paulo em Março 3, 2009
Há determinadas coisas que vemos que nos fazem pensar em alguém.
É curioso que, assim que vi estes bonecos, pensei logo no autor deste blogue. Porquê? Poderão perguntar. Bem, porque, quem o conhece, sabe que é o tipo de pessoa que nos marca para a vida e que, depois de o conhecermos e ultrapassarmos aquela capa, que ele por vezes veste (penso eu que, para afastar mal intencionados), vemos que estamos perante um AMIGO!
Claro que, ser amigo não significa viver em constante harmonia (mesmo porque a verdadeira amizade não é isso) mas, por vezes, entrarmos em verdadeiros debates sobre pequenos nadas que cada um de nós defende com “unhas e dentes” (e neste aspecto, és imbatível, meu Amigo!), sabendo que, por mais que se discorde nalguns pontos de vista, a Amizade, essa é imutável e constante.
Mas saber que, se precisarmos, temos alguém para nos apoiar incondicionalmente… Isso sim, é amizade!
Anos que passaram não alteraram em mim esta visão por isso, duvido que algo o venha a fazer…
Revejo-te em cada um destes quadrinhos e por isso, para mim, mesmo que longe… és um Amigo!!!
Porquê? “A amizade não se explica… Ela simplesmente acontece!!!”
…sempre…
Publicado por um(a) amigo(a) Oculto(a) Anónimo num comentário ao Post: O Melhor Tratamento…
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Posted by Luís Paulo em Março 2, 2009
Como dizia a minha amiga Lorena Taveira há bem poucos dias “Os amigos podem ser comparados como “Anjos” […] E estes amigos-anjos podem ser um amigo que sempre esteve ao nosso lado, desde a infância, ou aquele que mal conhecermos, que às vezes não percebemos a importância dele em nossas vidas, mas ao fim ele é muito importante, pois deixou marcas, momentos de felicidades e eternas saudades.”
Eis um exemplo de alguém que surge não sei de onde e aproxima-se de tal forma que é quase impossível não deixar marcas. Lembro-me que esta amiga apaixonou-se pelo blogue através do Post da minha filha Liliana sobre um projecto da sua escola (Rio Cáster. Observar, Intervir e Mudar) depois foi ficando por cá, proporcionando a todos opiniões bastante agradáveis. Falo-vos da menina Pepita. Também a sua prenda no dia do 1º aniversário do Eclectíssimo é Incomensurável.
Caro Luís,
Já não vinha ao seu blogue há algum tempo. Fiquei muito feliz por ter aqui vindo hoje e ter coincidido exactamente com o aniversário do eclectíssimo.
Acredito que a razão pela qual ele tem estado um pouquinho mais parado se deva a falta de tempo, o que é completamente compreensível, pois com tudo o que se propõe fazer, as 24 horas do dia devem ser insuficientes. Acredito que, com a Família, o trabalho, os estudos e algum descanso (não se esqueça que também faz muita falta), o triplo do tempo seria ainda insuficiente… Em relação ao aniversariante, gostava de felicitá-lo (a ambos)(*) pelo excelente trabalho que aqui tem desenvolvido e desejar muitas felicidades a ambos(*) para o futuro…
E muitos anos vindouros, contando sempre, claro está, com a colaboração de todos os que têm participado com comentários de grande valor (de pessoas que lhe são mais chegadas, como por exemplo o seu colega Thor – comentários sempre tão agradáveis de ler) e outros tantos, de ilustres desconhecidos, mas que aqui deixam o seu cunho nem que seja num breve comentário. Mais palavras para quê? O resultado deste excelente trabalho está à vista…
Parabéns… Obrigada.
Publicada por Pepita num comentário ao Post: Parabéns!…
(*) Quando fala em “ambos” a nossa amiga Pepita refere-se a mim e à minha filha Liliana através da qual, como já disse, ela tomou conhecimento do Eclectíssimo!
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Posted by Luís Paulo em Março 1, 2009
Como qualquer dia de aniversário, é habitual os amigos brindarem-nos com prendas valiosas! As que o Eclectíssimo recebeu no seu 1º aniversário são Incomensuráveis. Aqui vos deixo mais uma, proveniente de um(a) amigo(a) que prefere não identificar-se mas que dá mostras de me conhecer bastante bem:
Parabéns, Eclectíssimo!!!
Por razões que não interessa agora invocar, não estava presente quando nasceu o Eclectíssimo, só o tendo ‘descoberto’ alguns meses depois, mas hoje, dia em que comemora 1 ano, sinto-me feliz por fazer parte da grande “família” que se formou através deste blogue. Esta é, sem dúvida, uma forma de aumentar/partilhar conhecimentos e experiências e também de manter-te (como grande Amigo que és), por perto.
Claro que, como autor do blogue, tens todo o mérito e deves sentir-te muito satisfeito pela forma como o blogue se tem desenvolvido. Desde os temas abordados até à forma como tantos os têm comentado (com mais ou menos sentimento à mistura), este blogue é sem sombra de dúvida um vencedor… E, da mesma forma, meu Amigo, também tu…
És um exemplo para muitos…sempre…
Publicado por um(a) amigo(a) Oculto(a) Anónimo num comentário ao Post: Parabéns!…
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